Pelo menos 600 pessoas faleceram devido ao Ebola na República Democrática do Congo (RDC), conforme dados do governo divulgados na última quarta-feira. O número total de casos confirmados da doença subiu para 1.759, com 51 novos casos e 20 mortes registradas nas 24 horas anteriores.

As estatísticas foram atualizadas até terça-feira e não incluem dois casos de doença reportados em Kisangani, capital da província de Tshopo e uma das maiores cidades da RDC, cujos resultados de teste ainda estão sendo validados. Esses casos serão contabilizados oficialmente assim que forem confirmados.

Um dos casos está vinculado à vila de Nia-Nia, na província de Ituri, onde foram relatadas as primeiras infecções. O outro caso, segundo o governo, “não parece ter uma ligação geográfica” além de Kisangani.

Protestos de profissionais de saúde

Com a deterioração da situação, trabalhadores da saúde na província de Ituri, a mais afetada entre as três regiões orientais do país impactadas pelo surto, iniciaram uma paralisação em protesto contra os atrasos nos pagamentos.

Em um comunicado oficial enviado às autoridades nacionais e provinciais no último fim de semana, os profissionais de linha de frente em Ituri ameaçaram entrar em greve caso não recebessem pagamento em 24 horas. Até terça-feira, alguns já haviam interrompido suas atividades, embora nenhuma greve oficial tenha sido declarada, segundo a agência de notícias Associated Press.

Profissionais de saúde e outros trabalhadores de linha de frente relataram à AP que não receberam salários ou bônus desde que o surto de Ebola foi declarado em 15 de maio. Eles também afirmaram que estão trabalhando com equipamentos limitados e se sentindo tratados de forma injusta por autoridades e equipes de resposta.

“Desde que o surto da doença viral Ebola foi declarado, temos exigido pagamento pelo nosso trabalho”, declarou o Dr. Biensi Kano, membro do comitê de vigilância epidemiológica na capital de Ituri, Bunia.

Tratamentos e resposta ao surto

A paralisação ocorre no início do recrutamento para ensaios clínicos do tratamento do vírus Bundibugyo, responsável por este surto. Embora a cepa Bundibugyo do Ebola seja geralmente considerada menos letal do que outras, não há vacina aprovada disponível.

Quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou o surto uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional em maio, o vírus já estava se espalhando de forma não detectada há semanas nas cidades mineradoras de Mongbwalu, Rwampara e Bunia, antes de alcançar províncias vizinhas, conforme relatado pela jornalista Catherine Wambua-Soi, da Al Jazeera, no início deste mês.