O Centro de Goiânia é palco de um crescente debate sobre abandono e insegurança, com moradores relatando condições precárias e a presença de pessoas em situação de rua. Enquanto o comércio ainda tenta se manter ativo, a região carrega marcas visíveis de descaso, como calçadas danificadas e imóveis vazios.
Desafios enfrentados pelos moradores
O projeto Morar no Centro, que oferece subsídios de aluguel e isenção de IPTU, está em tramitação na Câmara Municipal, com votação prevista para 11 de agosto. O Jornal Opção conversou com habitantes locais que compartilham uma visão preocupante sobre a situação atual. O acúmulo de lixo e a insegurança são os principais temas abordados.
Luiz Antônio Rezende, de 73 anos, que vive na região desde 1972, expressa sua insatisfação: “Aqui está muito mal frequentado, muita gente estranha. Andar à noite é perigoso.” Ele planeja se mudar para o Setor Aeroporto, citando a deterioração da qualidade de vida.
Maria Marinalda, de 55 anos, que reside há 18 anos no Centro, também critica o abandono: “Teve uma época que eu falei que ia filmar e mostrar que dava pra criar uma boiada de tanto mato que tinha na rua.” Apesar de sua afeição pela região, ela reconhece os problemas, como o acúmulo de lixo e imóveis abandonados.
Impacto da situação nas pessoas em situação de rua
A presença de pessoas em situação de rua é uma preocupação recorrente entre os moradores. Um levantamento do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua (OBPopRua/UFMG) aponta que 4.809 pessoas nessa condição estão no Estado de Goiás, com Goiânia liderando o número.
Wilterson Marques Franco, de 52 anos, que vive na Rua dos Comerciários, resume sua percepção: “O Centro está literalmente abandonado.” Embora reconheça a conveniência da localização, ele critica a falta de atenção do Poder Público para resolver a situação. Júlio de Jesus Pereira, pedreiro de 66 anos que mora na Praça José Honorato, também observa as transformações negativas na região ao longo dos anos, especialmente à noite.
Socorro de Maria Moreira, de 55 anos, que se mudou recentemente para o Centro, relata a realidade que encontrou: “Aqui é muito sujo, tem muitas pessoas em situação de rua. Até fezes encontramos na calçada.” Apesar das condições, ela menciona que as pessoas em situação de rua não a agredem, mas a sujeira é um problema constante.
Comentários (0)
Entre ou cadastre-se para comentar.