A Meta, empresa controladora do Facebook, anunciou a suspensão de um programa de rastreamento de uso de computadores por parte de seus funcionários, que tinha como objetivo coletar dados para o treinamento de modelos de inteligência artificial (IA). A iniciativa, que começou há apenas dois meses, gerou descontentamento entre os empregados, que temiam pela privacidade e pela segurança das informações coletadas.

O programa, conhecido internamente como Iniciativa de Capacidade de Modelo (MCI), registrava cliques do mouse e pressionamentos de teclas. A Meta decidiu interromper a coleta de dados após descobrir que algumas informações poderiam estar acessíveis a qualquer pessoa dentro da empresa, gerando ainda mais desconfiança entre os colaboradores.

Um porta-voz da Meta confirmou à BBC que o programa está “em pausa por enquanto” enquanto a empresa investiga as questões de segurança. “Não temos indicação, até o momento, de que qualquer dado foi acessado de forma inadequada por funcionários da Meta”, acrescentou o representante.

A decisão de interromper o programa veio após semanas de resistência por parte dos empregados, que se manifestaram por meio de uma petição com quase 2.000 assinaturas pedindo o cancelamento do MCI. Inicialmente, a empresa tentou mitigar a situação permitindo que os funcionários não fossem rastreados por até 30 minutos, mas essa medida foi vista como uma ação de controle de danos.

Funcionários expressaram seu descontentamento, destacando que a falta de consentimento na implementação do rastreamento gerou indignação. Além disso, a Meta vem enfrentando crescente descontentamento em meio a demissões em massa e reestruturações relacionadas a iniciativas de IA, nas quais a empresa investe até US$ 145 bilhões este ano.

Um ex-funcionário comentou que a direção atual da empresa é “depressiva” e “exaustiva”, refletindo a insatisfação generalizada entre a equipe.