No 51º Congresso Brasileiro de Análises Clínicas, que ocorre entre 28 de junho e 1º de julho no Rio de Janeiro, o professor Thiago de Melo Costa Pereira, da Universidade Vila Velha, discute um tema pouco abordado: como medicamentos e suplementos alimentares podem interferir nos resultados de exames laboratoriais.
Com mais de 560 mil seguidores nas redes sociais, Pereira enfatiza que o uso de certos medicamentos pode "contaminar" os resultados dos exames. Ele apresenta exemplos que podem levar a diagnósticos errôneos e exames desnecessários. "A domperidona, frequentemente utilizada para refluxo, pode elevar os níveis de prolactina em até quatro vezes, o que pode levar médicos a solicitar exames adicionais desnecessários", explica.
Suplementos e suas implicações
Outro exemplo é a creatina, um suplemento popular entre praticantes de atividades físicas. Embora não comprometa a função renal, seu uso pode aumentar os níveis de creatinina, um marcador renal. "É crucial informar o médico e o laboratório sobre o uso de creatina, para que outros marcadores como ureia e cistatina C sejam utilizados para uma avaliação mais precisa", orienta.
Além disso, a biotina, conhecida por ajudar na queda de cabelo, pode resultar em falsos diagnósticos de hipertireoidismo, levando a uma interpretação errada dos níveis de TSH e T4. O especialista recomenda suspender a biotina de dois a sete dias antes de exames laboratoriais.
Orientações para Pacientes
Pereira sugere que pacientes façam uma lista completa de todos os medicamentos, suplementos e fitoterápicos que utilizam durante as consultas médicas. Informar quaisquer mudanças nos tratamentos durante os retornos também é essencial.
No Brasil, a polifarmácia afeta cerca de 20% da população idosa, o que ressalta a necessidade de monitoramento cuidadoso por meio de exames laboratoriais, que influenciam 70% das decisões médicas. Ignorar as interferências dos medicamentos pode levar a investigações adicionais, aumentando os custos e riscos aos pacientes.