Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Cornell apresenta uma nova abordagem para tratar o carcinoma fibrolamelar, um tipo raro e agressivo de câncer de fígado, que há anos resiste à imunoterapia. O medicamento AMD3100, já aprovado pela FDA para outra condição médica, mostrou potencial para liberar células T imunológicas, permitindo que elas atacassem as células tumorais com mais eficácia.

Como o carcinoma fibrolamelar evade o sistema imunológico

O carcinoma fibrolamelar representa cerca de 2% dos casos de câncer de fígado e, atualmente, não possui cura, sendo frequentemente diagnosticado em estágios avançados. O estudo, publicado na revista Gastroenterology, revela que os tumores de fibrolamelar alteram seu ambiente, impedindo que as células T imunes atinjam o câncer. Em vez disso, essas células ficam presas em tecidos fibrosos adjacentes, um fenômeno conhecido como exclusão de células T.

Segundo Praveen Sethupathy, professor de genômica fisiológica e coautor do estudo, essa descoberta ajuda a entender porque a imunoterapia, especialmente a inibição de pontos de verificação imunológicos, não tem sido eficaz nesse tipo de câncer.

Tecnologia avançada para investigar o ambiente tumoral

A equipe utilizou a técnica de transcriptômica de núcleo único para analisar o microambiente tumoral. Essa tecnologia permitiu uma visão detalhada das interações celulares dentro do tumor, revelando que células estelares alteradas são responsáveis pela formação das bandas fibrosas que caracterizam o carcinoma fibrolamelar. Essas células enviam sinais que desviam as células T do tumor.

Ao tratar amostras de tecido tumoral com AMD3100, os pesquisadores observaram que o medicamento conseguiu redirecionar as células T para o centro do tumor, aumentando significativamente a morte celular tumoral. Os autores do estudo buscam agora especialistas em câncer de fígado para iniciar ensaios clínicos utilizando essa abordagem.