Wolfgang Porsche, magnata automotivo austro-alemão, abandonou seus planos de construir um túnel privado de 500 metros para seus carros nas colinas de Salzburg, em meio a uma forte reação pública contra o que foi chamado de "túnel para um".

Em 2020, Porsche adquiriu uma villa histórica do século XVII nos arredores de Salzburg por €8,4 milhões. No outono passado, ele obteve autorização da prefeitura para a construção de uma estrada de acesso privada, com custo estimado de €10 milhões, que levaria de um estacionamento municipal no centro da cidade até uma garagem subterrânea ao lado da villa, onde poderia estacionar até oito carros.

A proposta gerou indignação entre os moradores, especialmente pelo valor histórico da propriedade, que já foi lar do escritor Stefan Zweig, expulso da cidade em 1934 pelo regime austrofascista. Após a intensa reação, Porsche decidiu colocar a propriedade de 12 quartos, conhecida localmente como Paschinger Schlössl, à venda.

O futuro da villa e seus desafios

O novo proprietário poderá ainda construir o túnel, mas deverá se apressar, pois a autorização, pela qual Porsche pagou €48 mil, é válida apenas até o final de 2028. As autoridades da cidade, que já enfrentam críticas por não adquirirem a villa para transformá-la em um museu dedicado a Zweig, afirmaram que não têm recursos para tal.

A reação popular contra os planos de Porsche, vista por muitos como um símbolo de desigualdade em uma cidade que enfrenta escassez habitacional, foi contundente. Um dos lemas dos protestos afirmava: "Uma cidade para todos, em vez de um túnel para um".

Valorização do imóvel e especulação imobiliária

Atualmente, a villa está à venda por €12,7 milhões, com os agentes imobiliários destacando a autorização para o túnel como um atrativo. Um gerente de imóveis da Porsche confirmou a venda, mas não comentou os motivos da desistência do projeto, chamando a polêmica de "debate motivado por inveja".

Em meio a essa situação, representantes do partido Verde local pedem a revogação da autorização, argumentando que a utilização de espaço público para especulação imobiliária deve ser reavaliada.