Longyearbyen, situada no arquipélago de Svalbard, na Noruega, é famosa não apenas por seu clima rigoroso e a presença de ursos-polares, mas também por uma peculiaridade que pode soar absurda: há quem afirme que na cidade é proibido morrer. Isso se deve a uma série de decisões governamentais que afetam a forma como a comunidade lida com a morte e os cuidados de saúde.

O que realmente acontece em Longyearbyen

Embora a ideia de que a morte é ilegal em Longyearbyen seja um exagero, a cidade possui características que fazem com que o sepultamento não seja uma opção viável. Desde 1950, o cemitério local não aceita novos enterros, devido ao permafrost, uma camada de solo permanentemente congelada que impede a decomposição adequada dos corpos. Esta condição gera um risco adicional: microrganismos patogênicos também permanecem preservados por mais tempo.

Pesquisadores já encontraram vestígios do vírus da gripe espanhola em corpos enterrados no cemitério durante a epidemia de 1918, o que demonstra a seriedade da situação. Assim, com a impossibilidade de sepultamentos, os moradores que falecem em Longyearbyen são frequentemente transferidos para o continente norueguês.

Limitações nos cuidados de saúde

A situação de Longyearbyen não se limita apenas ao sepultamento. A cidade, por ser um pequeno e isolado assentamento, não dispõe de infraestrutura para oferecer cuidados de saúde de longa duração, como assistência para pacientes em estado terminal ou cuidados paliativos. Quando um residente necessita desse tipo de atendimento, geralmente é transferido para hospitais no continente.

A ideia de que Longyearbyen proíbe mortes começou a ganhar notoriedade após uma reportagem da BBC em 2008, que descreveu a cidade como “o lugar onde é proibido morrer”. Essa narrativa foi reforçada pela realidade de que o cemitério local não recebe novos corpos e que os moradores em estado terminal são enviados para fora da cidade.

Em 2013, o gabinete do governador local esclareceu que, embora não seja ilegal morrer em Longyearbyen, a cidade não é um lugar para se viver a vida toda. Um documento do governo também destaca que os serviços públicos, especialmente nas áreas de saúde e assistência social, são limitados ou inexistentes. Por exemplo, a cidade não possui maternidade e grávidas são aconselhadas a viajar para o continente três semanas antes do parto para dar à luz em um hospital adequado.

Portanto, nem o nascimento nem a morte são ilegais em Longyearbyen, mas as condições locais desencorajam ambas as situações, refletindo um estilo de vida que se adapta às extremas circunstâncias do ambiente ártico.