A letalidade resultante de intervenções policiais cresceu no Brasil e atingiu um total de 4.330 mortes em 2025 no total dos nove estados do país monitorados pela Rede de Observatórios de Segurança. Os dados foram divulgados na manhã desta quarta-feira (1º) e representam um aumento de 6,4% em relação ao ano anterior, que registrou 4.068 mortes, conforme a mesma instituição. Segundo a pesquisa “Pele Alvo: entre racismo e letalidade, o amanhã”, quatro estados atingiram os seus maiores patamares de mortes por policiais desde o início da série histórica do monitoramento, em 2019.

Eles são: Maranhão (142), Ceará (200), Pará (632) e São Paulo (834). Ações policiais causaram 19 mortes por dia no Brasil no 1° tri de 2026 São Paulo registrou o maior número de vítimas da série histórica, mesmo em um contexto de queda em indicadores criminais, como furtos e roubos. Em 2024, foram registradas 812 mortes.

Em 2025, houve um aumento de 22 mortes em relação ao ano anterior. O estado acumula 4.774 vítimas em sete anos. Leia Mais Megaoperação no Rio: 17% dos policiais retiraram câmera corporal em ação Ações policiais causaram 19 mortes por dia no Brasil no 1° tri de 2026 Maioria dos brasileiros vê em leis mais rigorosas forma de combater crime Já o Maranhão, apresentou o crescimento mais alarmante, com uma alta de 86,8% nas mortes em apenas um ano.

Os números saíram de 76 mortes para 142 em 2025. No estado nordestino, o fenômeno é atribuído à interiorização de facções criminosas do Sudeste e à resposta estatal baseada no confronto, de acordo com o relatório. Os números também mostram a situação no Pará, que atingiu o recorde de 632 mortes, um aumento de 35 mortes em relação a 2024 .

O estado acumula 4.028 mortos em sete anos. Somente em Belém, foram 99 mortes, o maior número absoluto entre os municípios paraenses. Por sua vez, o Ceará registrou 200 mortes em 2025 , o maior patamar desde 2019.

Apenas 12 municípios concentraram 50,5% das vítimas em todo o estado. Em sete anos, a letalidade cresceu 47,1%, totalizando 1.094 mortos no período. Outros estados monitorados No Rio de Janeiro e em Pernambuco, a letalidade policial também apresentou alta em 2025.

O território fluminense registrou 800 mortes, o que representa um aumento de 13,8% em relação ao ano anterior. Já Pernambuco, teve 89 mortes, um aumento de 30,9% em comparação com 2024, segundo os dados. Em sentido oposto, o Amazonas estagnou em 43 mortes, mantendo a diferença zero em relação a 2024.

A Bahia, por sua vez, saiu de 1.702 em 2024 para 1.570 mortes em relação a 2025. Mesmo assim, segue como o estado monitorado com o maior índice no questio. Já o Piauí, registrou 20 mortes (queda de 16,7%), reduzindo em 4 o número de vítimas em relação às 24 de 2024.

Perfil das vítimas: negro, jovem e masculino Das mortes em que a raça foi identificada, 86,3% das vítimas eram negras. O Amazonas registrou a maior proporção de vítimas negras entre os estados monitorados, chegando a 96% dos mortos. Outros estados com índices altos de vítimas negras são Pernambuco (94,4%), Bahia (93,9%) e Pará (93,3%).

Leia também : Massacre de Paraisópolis: relatório aponta que jovens foram encurralados | CNN Brasil Em relação ao risco de morte, na média dos estados, uma pessoa negra tem quatro vezes mais chances de ser morta pela polícia do que uma branca .