Jornalistas feridos ou doentes em Gaza estão clamando por evacuação médica urgente, enquanto lutam para acessar tratamento vital fora da região. O fotojornalista Mohammed al-Qahouji, de 40 anos, tenta reconstruir sua vida após sobreviver a um ataque aéreo israelense em 7 de janeiro de 2024, que resultou na morte de seus colegas e em ferimentos graves que o impedem de trabalhar.
Desafios físicos e emocionais
Al-Qahouji relata que cada dia é uma batalha entre o desejo de continuar documentando a guerra e a necessidade de buscar tratamento especializado. Ele foi atingido por uma explosão que causou graves ferimentos em seu rosto e mão, além de danos na coluna que o deixaram com dificuldades de locomoção. Desde então, ele passou por mais de 25 cirurgias e ainda precisa de intervenções adicionais que só podem ser realizadas fora de Gaza.
“Quero voltar a trabalhar, mas meu corpo não me permite fazer o que eu fazia antes”, afirmou al-Qahouji. “Hoje, meu sonho é simples: receber tratamento e voltar ao campo onde passei anos documentando outras histórias.”
Movimento pela evacuação
Na quarta-feira, membros do Sindicato de Jornalistas Palestinos (PJS) realizaram um protesto na sede da entidade em Gaza, exigindo a evacuação médica de jornalistas feridos. Ahed Farwana, secretário-geral do PJS, destacou que mais de 40 jornalistas palestinos estão atualmente vivendo com ferimentos graves ou condições médicas que requerem tratamento fora da região.
O sindicato já enviou documentos médicos a organizações internacionais, solicitando ajuda para facilitar a evacuação dos jornalistas e garantir seu retorno após o tratamento. “O direito ao tratamento médico é um direito humano básico. Ele não deve ser negado por causa da guerra ou de restrições de movimento”, afirmou Farwana.
Farwana também criticou a falta de ação das organizações internacionais, que, segundo ele, se limitam a emitir “declarações de preocupação”. “Os jornalistas documentaram esta guerra desde o primeiro dia, muitas vezes correndo riscos pessoais enormes. Hoje, muitos deles só pedem a chance de sobreviver”, completou.
Condições de saúde desesperadoras
O fotojornalista Moaz al-Salhi, de 34 anos, também esteve presente no protesto, lutando contra a dor enquanto pedia por seus direitos. Al-Salhi foi diagnosticado com doença de Crohn grave em 2022 e não conseguiu receber o tratamento biológico necessário devido à guerra. Ele enfrenta emergências médicas frequentes e teme que sua condição se torne irreversível se continuar preso em Gaza.
“Não quero nada extraordinário. Só quero a chance de receber tratamento e voltar para minha família e para o trabalho que amo”, disse al-Salhi. As restrições impostas por Israel dificultam a saída de pacientes que precisam de tratamento urgentemente, e a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que mais de 18.500 pacientes em Gaza necessitam de evacuação médica urgente.
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