Depois de 5 partidas disputadas, a seleção brasileira de futebol foi eliminada da Copa do Mundo da Fifa pela Noruega no domingo (5.jul.2026). Foram 10 gols marcados, 4 sofridos e 50,4 GWh de geração solar e eólica cortados pelo ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) ao longo das 10 horas em que o time brasileiro esteve em campo. O montante corresponde a cerca de 6 horas de produção da usina de Itaipu, considerando a média de 8,3 GWh por hora registrada em 2025.

A hidrelétrica produziu 72,9 milhões de MWh no ano passado. O levantamento elaborado pelo Poder360 considera somente as restrições de geração solar e eólica registradas durante os jogos. Os valores não representam energia retirada dos consumidores nem interrupções no fornecimento, mas a quantidade que as usinas tinham condições de produzir e foram impedidas de injetar no sistema.

Esse tipo de restrição é conhecido como curtailment . O corte é determinado pelo ONS quando a geração disponível supera o consumo ou quando limitações operacionais e de transmissão impedem que toda a eletricidade seja absorvida pelo SIN (Sistema Interligado Nacional). Segundo o operador, a medida é necessária para manter geração e consumo equilibrados em tempo real e preservar a segurança do sistema elétrico e evitar apagões.

JOGOS DIURNOS TIVERAM MAIS CORTES As partidas da seleção alteraram o padrão habitual de consumo de eletricidade. Durante os jogos, empresas encerram atividades mais cedo, o comércio reduz o ritmo e o uso de eletricidade fica mais concentrado em pontos específicos, como bares, em vez do habitual consumo individual. A redução da carga amplia o excedente de energia disponível no sistema, especialmente quando coincide com elevada produção solar e eólica.

Por isso, os cortes foram mais intensos nos jogos realizados durante o dia e em períodos de menor consumo. A partida contra a Noruega, disputada a partir das 17h de um domingo, respondeu por 22,8 GWh de cortes –45,3% de toda a restrição registrada durante a campanha brasileira. Na vitória contra o Japão, iniciada às 14h de uma 2ª feira, foram cortados outros 15,1 GWh.

Somados, os 2 jogos concentraram 37,9 GWh, ou 75,2% do total. O confronto com a Escócia, às 19h de uma 4ª feira, teve 7,4 GWh restringidos. Contra o Haiti, às 21h30 de uma 6ª feira, o corte foi de 5 GWh.

A estreia diante do Marrocos, às 19h de um sábado, foi a única partida em que não houve restrição de geração solar ou eólica durante o período analisado. CORTES SUPERARAM ENERGIA APROVEITADA Em determinados momentos, o volume de geração cortado foi superior à energia solar e eólica efetivamente aproveitada pelo sistema. O caso mais extremo foi registrado contra a Noruega.

Às 17h, o ONS restringiu 18,9 GWMed, enquanto 8,8 GWMed foram gerados e absorvidos pelo sistema. O corte foi equivalente a mais de 2 vezes a produção aproveitada. Meia hora depois, foram cortados 17,7 GWMed, ante uma geração efetiva de 8,9 GWMed.

O mesmo ocorreu, em menor escala, contra o Japão. Às 15h30, foram restringidos 7,77 GW, enquanto 7,59 GW foram efetivamente gerados. Às 15h, os volumes ficaram praticamente empatados: 7,77 GW cortados e 7,77 GW aproveitados.