O árbitro húngaro-brasileiro João Etzel Filho se destacou na Copa do Mundo de 1962, onde apitou o empate entre União Soviética e Colômbia. Anos depois, ele afirmou ter influenciado o resultado como forma de vingança contra os soviéticos, devido à repressão enfrentada por seu país natal durante a Revolução Húngara de 1956.

Trajetória de João Etzel

Nascido em Budapeste em 1916, Etzel se naturalizou brasileiro ainda jovem e se tornou uma figura proeminente na arbitragem nacional nas décadas de 1950 e 1960. Comandou importantes clássicos no futebol paulista e esteve entre os cinco árbitros que mais apitaram Dérbis entre Corinthians e Palmeiras. Além disso, apitou competições como a Copa América e a Libertadores, sendo um dos auxiliares na decisão da Libertadores de 1962, na qual o Santos venceu o Peñarol.

Etzel era conhecido por sua influência na Federação Paulista de Futebol, frequentemente escalado para partidas internacionais. Seu reconhecimento o levou à arbitragem na Copa do Mundo de 1962, no Chile.

A Vingança e as Acusações

Na partida entre União Soviética e Colômbia, que terminou empatada em 4 a 4, o jogo ficou marcado pelo primeiro gol olímpico da história das Copas, marcado por Marcos Coll. Em entrevistas, Etzel afirmou: "Eu empatei aquela partida". Seis anos após sua morte, a revista Placar publicou um relato no qual o ex-árbitro afirmava ter influenciado o resultado como forma de vingança pela invasão soviética de Budapeste.

Em 1956, a repressão soviética resultou na morte de cerca de 8 mil húngaros e na fuga de 200 mil pessoas. Etzel, filho de húngaros, guardava ressentimento pela invasão e, em uma entrevista, declarou: "Sou de ascendência húngara e odeio os russos desde a invasão soviética da Hungria em 1956".

Outro árbitro brasileiro na Copa, Olten Ayres de Abreu, acusou Etzel de participar de um esquema para garantir a presença de Garrincha na final do torneio. Garrincha, expulso na semifinal contra o Chile, precisou ser julgado pela FIFA, e segundo Olten, houve uma manobra para impedir que a testemunha do lance, Esteban Marino, prestasse depoimento. Etzel teria intermediado o pagamento de US$ 10 mil a Marino para garantir a absolvição de Garrincha.

Legado e Últimos Anos

Após encerrar sua carreira em 1963, Etzel trabalhou como comentarista esportivo e presidiu a Comissão de Arbitragem da CBF entre 1986 e 1987. Viveu seus últimos anos no Guarujá, onde faleceu em 1988. Sua trajetória continua a ser lembrada, tanto pelos feitos na arbitragem quanto pelas controvérsias que cercaram sua carreira.