Na região do Vão do Paranã, no nordeste de Goiás, a realidade de muitos agricultores começou a mudar com a chegada da irrigação. A agricultora Júlia Pereira de Andrade, que passou dois anos sem água em sua propriedade, resume esse momento ao dizer: "Eu ajoelhei e pedi muito a Deus para que me desse água".

Com a perfuração de um poço artesiano, Júlia agora cultiva maracujá e manga, garantindo renda para sua família e transformando o que antes era uma luta diária por água em uma colheita abundante. O Vão do Paranã, historicamente conhecido como "corredor da miséria", está se tornando um polo de fruticultura.

Investimentos e resultados

O projeto, desenvolvido pela Embrapa e financiado pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), já beneficiou 80 produtores rurais com um investimento de R$ 23 milhões. A expectativa é que, no futuro, o projeto atenda 250 famílias e irrigue 500 hectares na região.

O modelo de produção prevê que cada agricultor cultive um hectare de maracujá e outro de manga, permitindo uma produção contínua ao longo do ano. Em algumas propriedades, a produtividade do maracujá já alcança 30 toneladas por safra, o dobro da média nacional.

Desafios e oportunidades

Apesar do avanço, os produtores enfrentam dificuldades para comercializar suas frutas, dependendo de atravessadores e enfrentando oscilações de preço. Para contornar isso, uma cooperativa está sendo formada, e uma agroindústria está sendo construída com apoio do governo estadual.

A transformação da região não só melhora a economia local, mas também combate o êxodo rural, com jovens, como Daniel Rodrigues, decidindo permanecer nas propriedades familiares para explorar as novas oportunidades trazidas pela irrigação.