O Irã deu início a um funeral de seis dias para o aiatolá Ali Khamenei, líder supremo que governou a República Islâmica por quatro décadas e foi morto no primeiro dia da guerra entre EUA e Israel, em fevereiro. A cerimônia começou no dia 4 de julho e se encerrará em 9 de julho, abrangendo diversas cidades do Irã e do Iraque, com o sepultamento final em Mashhad, a cidade mais sagrada do país.

Segundo Sanam Vakil, diretora do Programa do Oriente Médio e Norte da África do Chatham House, o funeral será uma exibição cuidadosamente orquestrada de luto e controle do regime, e foi adiado por vários meses devido a conflitos. A expectativa é que o evento atraia dezenas de milhões de pessoas, e Vakil observa que isso pode expor tensões subjacentes na sociedade.

Rota e cronograma do funeral

O funeral foi planejado como um evento nacional e religioso, passando por locais de grande importância para o islamismo xiita no Irã e no Iraque. Alex Vatanka, pesquisador sênior do Middle East Institute, afirmou que a cerimônia é uma tentativa de projetar legitimidade interna e dissuasão externa.

No dia 4 e 5 de julho, as cerimônias de despedida ocorrerão no complexo de oração Mosalla, em Teerã, a partir das 6h, horário local. No dia 6, o cortejo fúnebre seguirá por cerca de 10 quilômetros, de Imam Hossein Square até Azadi (Praça da Liberdade), após as orações pelos mortos, com o prefeito de Teerã, Alireza Zakani, prevendo a participação de até 20 milhões de pessoas.

Em 7 de julho, o cortejo seguirá para Qom, centro espiritual do aprendizado xiita, onde eventos acontecerão entre o Santuário de Fatima Masoumeh e a Mesquita Jamkaran. No dia 8, o corpo será transportado para o Iraque, com cerimônias em Najaf e Karbala, locais que abrigam os santuários de Imam Ali e Imam Hussein, respectivamente. A cerimônia final ocorrerá em Mashhad, no dia 9, sua cidade natal, que é um importante destino para milhões de peregrinos.

Participação e medidas de segurança

Mais de 30 países solicitaram oficialmente participação no funeral, com a confirmação do Paquistão e a presença prevista de um legislador chinês, conforme informou o ministério das Relações Exteriores da China. No entanto, nenhum governo árabe do Golfo anunciou oficialmente a participação de seus representantes.

Autoridades iraquianas, incluindo o presidente Nizar Amedi, estarão presentes. O novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, deverá comparecer ao evento, embora não tenha sido visto em público desde sua ascensão após a morte do pai. A presença dele pode ser interpretada como uma demonstração de força em meio a desafios de governança, como problemas econômicos e descontentamento social, segundo Naysan Rafati, analista sênior do Crisis Group.

A grandeza do evento exigiu um planejamento significativo, com a conversão de rodovias em zonas de estacionamento temporárias e o uso de escolas, mesquitas e universidades para acomodar visitantes. O Irã busca evitar qualquer violação de segurança, especialmente com a presença de dignitários estrangeiros.