As autoridades iranianas preveem que o funeral do aiatolá Ali Khamenei, falecido recentemente, será "a maior reunião da história de Teerã", conforme afirmou o prefeito interino da capital, Alireza Zakai. A cerimônia, que começará neste sábado (4), foi adiada devido ao conflito no Oriente Médio.

Khamenei, que exerceu a liderança suprema do Irã por 37 anos, faleceu aos 86 anos após um ataque aéreo realizado por Estados Unidos e Israel em seu complexo residencial e de trabalho. O ataque, ocorrido em 28 de fevereiro, desencadeou uma guerra na região e resultou na morte de vários membros de sua família, incluindo sua filha e dois netos.

Mobilização nacional e luto oficial

O evento de seis dias tem como objetivo "reforçar a coesão nacional e a unidade" entre os diversos grupos políticos, sociais e religiosos do Irã, segundo Ali-Akbar Purdjamschidian, chefe do comitê organizador. Com uma população de cerca de 93 milhões de habitantes, o regime está mobilizando apoiadores para as cerimônias, que incluem três dias oficiais de luto em Teerã, durante os quais a cidade estará quase paralisada, com empresas fechadas e atividades suspensas.

Khamenei será sepultado em 9 de julho em Mashhad, sua cidade natal. Antes disso, um cortejo fúnebre passará pelo Iraque, incluindo as cidades sagradas de Najaf e Karbala, uma movimentação que é vista como uma tentativa de projetar a influência regional do Irã.

Legado e desafios do regime

O legado de Khamenei é marcado por tensões crescentes com o exterior, corrupção e má gestão econômica, além de sanções relacionadas ao programa nuclear do país. Segundo o professor de ciência política Mehrzad Boroujerdi, Khamenei governou com forte intervenção em todos os aspectos do governo, ao contrário de seu predecessor, o aiatolá Ruhollah Khomeini, que teve um mandato mais curto.

O descontentamento público aumentou ao longo dos anos, levando a diversas ondas de protesto, incluindo o movimento verde de 2009 e os protestos "Mulher, Vida, Liberdade" em 2022. Essas manifestações foram reprimidas com violência, refletindo a postura de Khamenei de não fazer concessões a opositores.

Uma ativista pelos direitos das mulheres em Teerã mencionou que, apesar das dificuldades, os apoiadores do regime estão se sentindo revigorados. A guerra e os bombardeios resultaram em uma nova percepção entre os iranianos de que não podem contar com apoio externo, intensificando o descontentamento, especialmente entre os jovens.

As negociações entre o Irã e os Estados Unidos continuam incertas, mas a inclusão do Hezbollah nas discussões destaca a continuidade da política externa de Khamenei. Para muitos iranianos, a participação no funeral é uma demonstração de resiliência diante da adversidade.