Teerã está sendo preparada como uma fortaleza para o funeral do aiatolá Ali Khamenei, que será realizado em três dias de homenagens, começando após sua morte em ataques aéreos de Israel e dos Estados Unidos. Khamenei, que foi o líder supremo do Irã por mais tempo desde a fundação da República Islâmica em 1979, faleceu aos 86 anos em 28 de fevereiro.

As autoridades esperam que entre 15 milhões e 20 milhões de pessoas compareçam às cerimônias, que ocorrem em um contexto de forte tensão após a guerra de quase 40 dias entre Irã e seus adversários. O funeral é visto como uma demonstração de força do regime, especialmente após os pesados danos e perdas humanas que a guerra causou, incluindo a morte de líderes iranianos.

Preparativos e segurança reforçada

Os preparativos para o funeral estão em andamento sob um calor intenso, com trabalhadores finalizando os detalhes na mesquita onde o caixão será velado. Hosein Moghadassi, um funcionário local, comentou sobre a expectativa de grande afluência: "As pessoas virão de todo o Irã. Vai ter muita gente".

A primeira cerimônia de homenagem ocorreu na noite de quinta-feira (2), com a presença de familiares de vítimas da Guerra Irã-Iraque e membros do governo. As homenagens públicas estão programadas para começar no fim de semana, com filas se formando já na noite de sexta-feira. O complexo religioso de Mosalla, onde ocorrerá o velório, ficará aberto dia e noite até segunda-feira (6).

Autoridades internacionais e contexto político

O funeral de Khamenei, que inicialmente estava agendado para março, foi adiado devido à guerra. Espera-se a presença de autoridades de cerca de 30 países, incluindo o ex-presidente russo Dmitri Medvedev e o primeiro-ministro paquistanês Shehbaz Sharif. A China será representada por He Wei, um alto dirigente do Parlamento, enquanto nenhum líder europeu foi convidado.

Após as cerimônias em Teerã, o caixão seguirá em cortejo pelas ruas da capital, com o sepultamento marcado para 9 de julho na cidade sagrada de Meshed, onde Khamenei nasceu. Antes disso, o cortejo passará pelo Iraque, um país de maioria xiita.

O funeral acontece em um momento de crescente insatisfação interna no Irã, onde o governo enfrenta protestos em razão do alto custo de vida. Desde quinta-feira, a capital está sob um rigoroso esquema de segurança, com um perímetro fechado para veículos. O aeroporto de Teerã opera parcialmente e interromperá totalmente as atividades na segunda-feira, data que será feriado nacional.