A polícia britânica está investigando doações no valor de £500 mil feitas à Reform UK por Fiona Cottrell, mãe de George Cottrell, um fraudador condenado e aliado de Nigel Farage. As doações, ocorridas em maio de 2024, incluem dois depósitos de £250 mil e estão sendo analisadas para determinar se visavam ocultar a identidade de um doador não permitido.
Detalhes da investigação
De acordo com a polícia metropolitana, a investigação foi iniciada em fevereiro de 2025 após uma remessa da Comissão Eleitoral. Até o momento, duas pessoas foram entrevistadas sob cautela, mas nenhuma prisão foi realizada. A apuração foca na conformidade das doações com a seção 61 da Lei de Partidos Políticos, Eleições e Referendos de 2000, que proíbe a ocultação da identidade de doadores.
As doações de Cottrell parecem ser distintas de um depósito de cerca de £1 milhão feito em junho de 2024 a uma empresa comandada por Richard Tice, vice-líder da Reform. Recentemente, o Guardian revelou que essa transferência foi reportada à Agência Nacional de Criminalidade (NCA) por instituições financeiras, que não conseguiram rastrear a origem dos fundos.
Implicações para Reform UK e Farage
A investigação representa mais um desafio para a Reform UK e Nigel Farage, que já enfrentam críticas em relação à transparência financeira desde que um presente não declarado de £5 milhões foi revelado. Farage está se preparando para disputar uma eleição parcial, enquanto a investigação sobre as doações levanta novas questões sobre o relacionamento financeiro entre George Cottrell e Farage.
Fiona Cottrell, que não respondeu a perguntas detalhadas sobre suas doações, é considerada de recursos relativamente modestos, mas já contribuiu com um total de £1,75 milhão para a Reform UK e sua plataforma de arrecadação, a Britain Means Business. Os advogados de George Cottrell não comentaram sobre suas ligações financeiras com a mãe.
A investigação policial pode pressionar ainda mais a liderança da Reform a esclarecer a relação profissional entre George Cottrell e Farage, especialmente com alegações de que George se autodenominava “chefe de gabinete” do líder do partido e cobria despesas da sigla. A Reform declarou que George Cottrell nunca ocupou um cargo oficial na organização.
Além disso, surgiram questionamentos sobre a legalidade das doações de George Cottrell, que reside em Montenegro. Seus advogados afirmaram que ele é um doador permitido, mas não explicaram como isso se aplica à legislação vigente. George Cottrell foi condenado por fraude eletrônica em 2017 e cumpriu pena nos Estados Unidos, além de ter se envolvido em atividades de lavagem de dinheiro.
A Met informou que a investigação está em andamento e que qualquer infração relacionada à seção 61 não pode ser analisada pela Comissão Eleitoral, sendo um assunto exclusivamente policial. A Comissão Eleitoral não fez comentários adicionais sobre o caso.
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