A situação se agravou quando agentes da ICE foram até um local de votação em Syracuse, Nova York, durante as primárias do estado em junho. Eles buscavam Paigelynn Gonyea, uma funcionária de urna, preocupados com um post no Instagram que supostamente a envolvia em um caso de 'doxing' de um agente da ICE.

Gonyea afirmou que o único post que conseguiu encontrar era uma referência ao Minnesota Star Tribune, que identificou Jonathan Ross, o agente da ICE que atirou e matou Renee Good durante uma operação em Minneapolis. Ela também fazia um apelo pela acusação de Ross.

Os agentes pediram que Gonyea assinasse um aviso de advertência, que afirmava que era ilegal 'ameaçar agredir, sequestrar e/ou assassinar' funcionários federais ou seus familiares, com o intuito de impedir o trabalho desse oficial. O documento também solicitava que ela removesse o post e interrompesse seu comportamento. 'Minha assinatura seria uma admissão de culpa', disse Gonyea, que se recusou a assinar.

A ICE não respondeu a um pedido de comentário sobre o incidente.

Investigação de Críticos Online

O episódio, reportado inicialmente pelo Syracuse.com, levantou preocupações sobre o uso do Escritório de Responsabilidade Profissional (OPR) da ICE, que deveria focar em investigações internas, para abordar civis americanos.

O OPR é responsável por inspecionar instalações de detenção, investigar alegações de má conduta de funcionários e processar verificações de segurança para novos candidatos. No entanto, documentos judiciais recentes indicam que o OPR tem investigado mais civis, como Gonyea, por suas postagens online.

Em uma declaração judicial apresentada em abril, um funcionário da ICE afirmou que entre janeiro de 2025 e março de 2026, o OPR investigou 131 casos de 'doxing e ameaças direcionadas a funcionários da ICE em todo o país'. Não está claro quantos desses casos resultaram em acusações criminais.

Críticas à Expansão da Vigilância

A advogada Laura Moraff, da ACLU, destacou que é difícil condenar alguém por suas palavras, exceto em circunstâncias muito limitadas. 'As pessoas têm o direito da Primeira Emenda de criticar o governo, fazer isso online e de forma anônima', afirmou.

O OPR também enviou uma série de intimações administrativas a empresas de tecnologia em um esforço para descobrir a identidade de críticos online. No entanto, algumas dessas intimações foram retiradas pelo governo antes de serem discutidas em tribunal.

Além disso, a administração de Trump alegou que as ameaças contra agentes da ICE aumentaram desde o início de seu governo. Contudo, uma análise do Los Angeles Times de 2025 questionou a veracidade de alegações de aumento de 1.000% em ataques a agentes da ICE.

Gonyea planeja contestar a administração na justiça, afirmando que a questão é maior do que ela mesma e envolve a proteção do direito à liberdade de expressão de todos os americanos.