A start-up Terra Industries, fundada em 2024 por Nathan Nwachuku e Maxwell Maduka, pretende mudar a dinâmica da defesa na África ao desenvolver drones e veículos autônomos, em um esforço para reduzir a dependência do continente em relação a fornecedores estrangeiros.

Historicamente, as forças armadas africanas têm buscado tecnologias de defesa fora do continente, utilizando drones turcos, sistemas de vigilância chineses e caças russos. Essa dependência limitou a capacidade da África de se posicionar como produtora de tecnologia militar.

Iniciativa local e proteção de ativos

A Terra Industries, com instalações em Abuja e Acra, afirma que mais de 70% de seus insumos são obtidos localmente, diferenciando-se de empresas que apenas montam componentes importados. A empresa já fornece sistemas para a proteção de infraestruturas avaliadas em cerca de $11 bilhões, abrangendo usinas de energia, minas de lítio e ouro, refinarias de petróleo e outros ativos estratégicos em oito países africanos e no Canadá.

O aumento da produção local de tecnologia de segurança é um tema relevante para governos que enfrentam grupos armados e insegurança nas fronteiras. “Estados costeiros na África Ocidental estão focados na vigilância marítima devido à pirataria e à pesca ilegal no Golfo da Guiné”, disse Nwachuku à Al Jazeera. “Outros buscam proteção para oleodutos e infraestrutura energética, problemas que começamos a resolver na Nigéria.”

Expansão e investimento

A empresa está se preparando para ampliar sua presença na região, com a construção de uma nova instalação em Gana, que se tornará o maior polo de fabricação de drones da África, com capacidade de produção de 50 mil unidades anuais até 2028. “Nosso objetivo a longo prazo vai além do continente, pois as ameaças que nossos sistemas abordam também existem no Sul Global”, afirmou Nwachuku.

A Terra Industries levantou $34 milhões em uma das maiores rodadas de financiamento inicial do setor tecnológico africano, liderada pela 8VC, empresa de capital de risco fundada por Joe Lonsdale, cofundador da Palantir Technologies. “O fechamento da rodada ocorreu em menos de duas semanas, o que é raro globalmente”, comentou Tage Kene-Okafor, diretor de comunicações da Terra.

Desafios para a soberania defensiva

Apesar do avanço na produção local, a soberania defensiva vai além da capacidade de fabricação. Janice Greaver, diretora da Pan African Sustainable, Innovation and Development Associates (PASIDA), alerta que a produção local não resolve questões de controle e responsabilidade. “Setenta por cento de fornecimento local significa pouco até que saibamos quem controla a propriedade intelectual e quem é incluído ou excluído”, disse Greaver.

A Terra Industries exemplifica que tecnologias de defesa sofisticadas podem ser desenvolvidas na África, mas a verdadeira soberania dependerá de como os governos gerenciam a compra e a supervisão dessas tecnologias. A falta de estruturas de responsabilidade pode transformar uma dependência em outra, desta vez em relação a capitais privados não responsabilizados.