Um dos incêndios florestais mais mortais da Espanha nos últimos anos resultou na morte de 13 pessoas, incluindo cinco britânicos, três belgas, e um nacional cada de França e Espanha, conforme informado pelas autoridades nesta segunda-feira.

O incêndio, que teve início na quinta-feira, transformou áreas rurais da província de Almeria em zonas de destruição, deixando vítimas gravemente queimadas que necessitaram de identificação por meio de DNA.

Inicialmente, os serviços de emergência recuperaram 12 corpos, que estavam tão desfigurados pelas chamas que exigiram amostras genéticas para sua identificação. Um órgão técnico responsável pelo trabalho de identificação anunciou as nacionalidades de nove das vítimas na segunda-feira, incluindo um homem espanhol e sua esposa britânica.

Com a confirmação de que cinco das vítimas eram britânicas, as autoridades andaluzas relataram no domingo a morte de uma mulher britânica de 93 anos, que havia se ferido no incêndio e faleceu no hospital.

Funcionários consulares da Grã-Bretanha, Bélgica e França estão colaborando na obtenção de perfis genéticos de parentes, o que pode acelerar a identificação de todas as vítimas, conforme afirmaram os especialistas.

As autoridades alertaram que o número de pessoas desaparecidas ainda é incerto até que as autópsias e identificações sejam concluídas. Os bombeiros continuam trabalhando para apagar o incêndio, que já consumiu cerca de 7.000 hectares de floresta e vegetação.

Com a diminuição dos ventos e a queda das temperaturas, os bombeiros conseguiram controlar o incêndio durante o final de semana, permitindo que aproximadamente 1.500 residentes evacuados retornassem para casa.

Medidas de prevenção e resposta rápida

O líder do governo regional da Andaluzia, Juanma Moreno, afirmou que o incêndio está sob controle, com os bombeiros se dedicando a extingui-lo completamente. Ele destacou que a maioria das casas foi preservada, resultado dos esforços das equipes de emergência.

Durante uma visita à zona afetada, o primeiro-ministro Pedro Sanchez enfatizou a necessidade de fortalecer as medidas de prevenção. "Não devemos apenas reagir quando esses incêndios acontecem, devemos prevenir", afirmou Sanchez, referindo-se à crescente frequência de emergências civis devido às mudanças climáticas.

Moreno também sugeriu que os cidadãos poderiam responder mais rapidamente ao avistarem fumaça ou comportamentos suspeitos que possam indicar incêndios criminosos.

Causas e consequências climáticas

O incêndio, que se espalhou a uma velocidade de até 100 metros por minuto em seu pico, pode ter sido causado pela quebra de uma linha de energia, que incendiou a vegetação ressecada devido ao calor intenso, com temperaturas superando os 40°C.

Cientistas afirmam que a mudança climática, impulsionada pela queima de combustíveis fósseis, torna eventos climáticos extremos, como ondas de calor que contribuem para incêndios florestais, mais prováveis e intensos.

"Aqui, a mudança climática está tendo um impacto muito grande, e estamos em um estado de caos climático com situações que são praticamente inéditas", disse Moreno. No ano passado, incêndios florestais devastaram quase 400.000 hectares na Espanha, o maior número registrado pelo Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais.