O Google já operou para levantar o acesso dos jornais, sites, revistas etc. Hoje, joga contra — em busca de acesso (e anúncios) para si mesmo. Os acessos dos jornais brasileiros têm caído, frequentemente, por falta do antigo empurrão do Google.
Chega-se, em algumas redações, a impulsionar reportagens para obter acesso. Paga-se para tentar conquistar leitores. Não há como escapar do Instagram/Barracolândia As redes sociais, cada vez mais fechadas em si mesmas, têm colaborado pouco, quase nada, para elevar o acesso dos jornais.
O Instagram reforça a marca e gera polêmica, mas escasso acesso. Porque seus usuários raramente saem de lá em busca da reportagem completa. E, afinal, há muita coisa para ver (e interagir) no Instagram — ambiente altamente diversificado.
Há vídeos fofos de gatos e cachorros. Há jovens cantores encantadores. Há a velha e magnética barracolândia.
Há amigos do peito, conhecidos ou não, mandando coraçãozinhos. É uma festa. Há uma incorporação do estilo “Daqui” de reportar o que ocorre na sociedade — piorando o nível de “O Popular”.
Até quando o jornal, quase centenário e de qualidade, vai continuar trocando o jornalismo sóbrio pelo jornalismo basicamente policial? Não há, porém, como escapar do Instagram. Porque “todos” — ou quase — estão lá.
Hoje, quando se publica uma reportagem, a primeira pergunta que a fonte faz é: “Vocês vão colocar no Insta?” É no palco do Instagram que o barraco esquenta, por causa dos comentários (muitos deles fabricados, por empresas especializadas, para direcionar os demais comentários). É incontornável e não adianta falar mal. As pessoas adoram.
Diz-se que há uma fuga do Instagram, notadamente de jovens, mas não é o que vejo no dia a dia. Em junho deste ano, “O Popular” obteve menos acesso do que o Portal 6, de Anápolis, Jornal Opção e Mais Goiás. Em julho, o quadro pode se repetir.
Eventualmente, o jornal, recém vendido pelo Grupo Câmara ao Grupo Zahran, supera os concorrentes. Há aos menos um indício de que a redação está percebendo a queda do acesso em julho. O jornal aumentou a cobertura de fatos policiais.
Quem conferiu a capa digital na sexta-feira, 24, certamente ficou impressionado com a quantidade de reportagens policiais. Se o novo dirigente do Grupo Zahran leu “O Popular” na sexta certamente terá concluído: “Compramos um jornal policial”. Noutras palavras, “O Popular” está concorrendo, com seu jornalismo popularesco, com o “Daqui”, jornal da mesma empresa.
Em busca de acesso, O Popular perde sobriedade Não se está questionando a publicação de reportagens policiais; afinal, todos os jornais publicam. A ressalta é outra: o jornal está priorizando matérias policiais, ao menos na capa, e deixando de destacar outros assuntos de interesse da sociedade. No período matutino, na sexta-feira, a manchete principal era: “Falsa empresária suspeita de movimentar mais de R$ 40 milhões de facção criminosa é considerada foragida, diz polícia”.
Uma manchete irretocável, certamente. O problema é que os destaques seguintes eram todas reportagens policiais. Puro mondo cane .
O segundo destaque, com direito a fotografia, mereceu a manchete: “Advogada suspeita de dar golpes de R$ 600 mil em clientes é solta após ser presa em resort de luxo”.
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