O programa Infra em 1 Minuto, produzido pelo Poder360 em parceria com o CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura), aborda neste sábado (18.jul.2026) os desafios enfrentados pela infraestrutura elétrica para a expansão de data centers no Brasil. Pedro Rodrigues, especialista em óleo e gás e sócio do CBIE, destaca os impactos das novas regulamentações no setor.

A discussão surge em um contexto onde a governadora de Nova York implementou a primeira moratória estadual dos EUA para data centers hyperscale, suspendendo projetos acima de 50 MW (megawatts) por até um ano. A medida visa proteger os cidadãos de aumentos nos custos de infraestrutura, em resposta a um aumento de quase 68% nas tarifas residenciais desde 2019.

Desafios de infraestrutura e investimentos necessários

No 171º episódio do Infra em 1 Minuto, Rodrigues explica que um data center voltado para inteligência artificial pode demandar centenas de megawatts em um único local, exigindo investimentos bilionários em subestações, alimentadores e linhas de transmissão. Nos Estados Unidos, 24 estados já implementaram tarifas específicas para grandes cargas, como no caso de Ohio, que criou uma classe própria para data centers com exigências rigorosas.

Rodrigues alerta que o Brasil enfrenta uma saturação na rede elétrica, com pedidos de acesso para data centers somando 38 GW (gigawatts). Na primeira rodada da nova política de acesso do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), 38 dos 43 pedidos validados são de data centers, totalizando 7.000 MW. Em São Paulo, 20 projetos estão concentrados em regiões como Campinas, Hortolândia e Vinhedo, já operando perto do limite.

Tempo e regulação como obstáculos à expansão

Um dos principais desafios é o tempo necessário para adequar o sistema elétrico. Rodrigues destaca que, apesar de serem caros, os reforços de rede não são rápidos de implementar, pois envolvem estudos, leilões, licenças e obras, o que pode levar de cinco a sete anos. Essa lentidão é problemática em um setor onde a velocidade de construção é crucial, especialmente na corrida pela inteligência artificial.

O especialista também aponta uma assimetria no debate regulatório. Enquanto os EUA discutem quem arca com os custos de reforço da rede elétrica, o Brasil tende a criar barreiras para a construção de novos data centers. Um exemplo é o projeto de lei do Redata, que propõe que os data centers utilizem apenas fontes renováveis.

Rodrigues observa que essa abordagem pode ser problemática: “A regulação vem antes do regulado. O tributo vem antes do lucro. A exigência legal vem antes do desenvolvimento”. Ele ressalta que Nova York tomou uma decisão após já ter 148 data centers em operação, enquanto o Brasil corre o risco de implementar barreiras antes mesmo de ter seu primeiro projeto em funcionamento.