O Brasil se aproxima da eleição de 2026 em um cenário desafiador, marcado pelo aumento das tarifas impostas pelos Estados Unidos e um déficit fiscal crescente. Segundo Ruchir Sharma, estrategista global e chairman da Rockefeller International, o país é a grande incógnita do próximo pleito, considerado por ele a eleição mais importante do mundo no ano.

Tarifa de 25% e suas repercussões

Recentemente, o governo de Donald Trump anunciou a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, o que fará do Brasil o segundo país mais taxado pelos EUA, atrás apenas da China. Essa medida, que pode entrar em vigor em 22 de julho, abrange exportações brasileiras que somam aproximadamente US$ 14,9 bilhões. Embora Sharma acredite que o impacto direto da tarifa seja limitado devido a isenções, o efeito sobre o investimento estrangeiro e a dinâmica eleitoral é mais complexo.

Em entrevista à BBC News Brasil, Sharma destacou que a narrativa de soberania e nacionalismo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode beneficiá-lo, similar ao que ocorreu no México. No entanto, ele alertou que a aprovação do governo está sob pressão devido ao aumento do custo de vida e ao crescimento econômico fraco. A administração Lula já indicou que não pretende negociar com os EUA antes das eleições de outubro, o que pode complicar a situação.

Expectativas eleitorais e econômicas

Sharma observou que, independentemente de quem vença as eleições, haverá uma pressão econômica para que o próximo governo negocie com Washington. Ele apontou que a expectativa de que mais governos de direita assumam o poder na América Latina tem atraído investidores, uma vez que historicamente esses governos produzem retornos financeiros mais elevados.

Se Lula for reeleito, a reação inicial dos investidores pode ser negativa, dado o estado delicado da situação fiscal do Brasil. Sharma ressaltou que, caso Lula não adote um caminho fiscalmente sustentável, poderá ocorrer uma fuga de capitais. A política interna também desempenha um papel crucial, uma vez que o controle do Senado e da Câmara é fundamental para a governabilidade.

Por outro lado, uma vitória de Flávio Bolsonaro, principal adversário de Lula, poderia gerar uma reação inicial positiva dos mercados, mas as políticas concretas do novo governo ainda precisariam ser avaliadas.

Sharma também enfatizou a importância do Brasil na nova ordem global, destacando suas riquezas naturais e o potencial para se destacar em tecnologia e energia limpa. O país possui um histórico razoável de investimento em pesquisa e desenvolvimento e uma posição crescente nos mercados globais de petróleo.