O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, assumiu a responsabilidade pela comunicação em torno da recente decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que gerou interpretações divergentes no mercado. Em uma audiência no Senado nesta quinta-feira (25), Galípolo reconheceu que a ata do Copom, divulgada na última terça-feira (23), deixou dúvidas sobre a postura da instituição em relação à inflação.
Na semana passada, o BC decidiu manter a taxa Selic em 14,25% ao ano, mesmo diante de previsões inflacionárias desafiadoras. Essa decisão provocou reações negativas, com analistas interpretando que o Banco Central poderia estar adotando uma abordagem menos rigorosa no combate à inflação.
Galípolo explicou que o Copom optou por não reagir a eventos incertos, como a guerra no Oriente Médio. "A responsabilidade, se o parágrafo não conseguiu transmitir aquilo que a gente queria em um espaço conciso, é absolutamente minha", reconheceu.
Desafios e Pressões
O presidente do BC esclareceu que a decisão de manter os juros inalterados foi baseada nas melhores práticas, que recomendam não reagir a variações de preços ocasionadas por choques de oferta. Ele também destacou que a função do Banco Central não é buscar consenso entre as opiniões do mercado.
Durante a mesma audiência, Galípolo abordou as pressões enfrentadas pela instituição, que incluem críticas sobre a alta taxa de juros e a demanda por maior previsibilidade nas políticas monetárias. "Em momentos de maior incerteza, é normal esse desejo por guidance, mas nenhum outro banco central está fazendo isso", afirmou.
Por fim, Galípolo enfatizou que uma comunicação clara não deve ser confundida com a antecipação de decisões futuras, reafirmando o compromisso do Banco Central em tomar decisões com base na análise do cenário econômico.
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