No último dia 25, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, admitiu que a comunicação referente à recente decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) não foi clara, gerando confusão entre os agentes do mercado financeiro. O BC optou por manter o ciclo de redução da taxa Selic, mesmo diante de perspectivas de inflação em alta.
Galípolo destacou que a responsabilidade pela falta de clareza na comunicação é inteiramente sua, afirmando: "Se o parágrafo não conseguiu transmitir aquilo que a gente queria em um espaço conciso, é absolutamente minha".
A decisão do Copom, que reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, levando a taxa para 14,25% ao ano, foi justificada pelo Banco Central com base nas melhores práticas, que recomendam não reagir de forma imediata a choques de oferta que influenciam os preços.
Felipe Salles, economista-chefe do C6 Bank, observou que a ata divulgada na última terça-feira (23) apresentou uma mudança significativa ao afirmar que o balanço de riscos agora exibe uma assimetria altista, algo que não foi mencionado anteriormente. Essa alteração sugere uma postura mais cautelosa por parte do Comitê.
Galípolo também apontou que a função do Banco Central não é buscar um consenso entre as opiniões do mercado. Durante a apresentação do Relatório de Política Monetária do segundo trimestre, ele mencionou que a instituição enfrenta pressões tanto por conta da alta taxa de juros quanto pela necessidade de previsibilidade nas sinalizações de política monetária.
O presidente ressaltou que, embora existam demandas por maior orientação, a prática de antecipar decisões não é recomendada, especialmente em um ambiente de incerteza. "O Banco Central vai preservar o seu direito de não dar essa informação quando achar que não interessa divulgá-la antecipadamente", concluiu.
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