A divisão de jogos da Microsoft, Xbox, anunciou a demissão de aproximadamente 3.200 funcionários, representando cerca de 20% de sua força de trabalho. A decisão, comunicada na semana passada, deixou muitos trabalhadores, como a desenvolvedora Morgan Goin, chocados. Goin, que atuou como designer sênior no jogo The Elder Scrolls Online, estava ciente de que cortes de pessoal eram esperados, mas a magnitude do que ocorreu a surpreendeu.

A nova CEO da divisão, Asha Sharma, havia enviado uma comunicação anterior indicando que planejava 'reiniciar os negócios'. Embora houvesse rumores sobre cortes, a incerteza sobre quem seria afetado perdurou por semanas. A liderança da Xbox justificou as demissões como uma medida dolorosa, mas necessária para preparar a empresa para um futuro mais promissor, concentrando-se em seus títulos de maior sucesso.

Impacto das demissões no setor de jogos

As demissões na indústria de jogos têm sido frequentes desde 2022, com estimativas indicando que cerca de 58 mil empregos foram eliminados globalmente. Esse cenário é resultado de uma expansão agressiva durante a pandemia de Covid-19, que levou a um aumento significativo no número de jogadores e nos gastos com jogos. A Xbox adquiriu diversos estúdios nesse período, incluindo a ZeniMax/Bethesda e a Activision Blizzard, esta última por 69 bilhões de dólares em 2023.

Apesar da lucratividade contínua da indústria, os custos de produção dispararam, influenciados por crises de custo de vida, mudanças nos hábitos dos consumidores e investimentos em inteligência artificial. Muitos ex-funcionários expressam preocupação de que as demissões possam ter eliminado décadas de talento e expertise, questionando a capacidade da empresa de alcançar seus objetivos de crescimento.

Reações e futuro incerto

Entre os demitidos, a ex-testadora de qualidade Autumn Mitchell relatou que o clima de incerteza predominou antes das demissões, com pedidos de informações sendo recebidos com silêncio. Simon Prefontaine, designer de jogos na Bethesda Game Studios, também expressou choque com a extensão das demissões, que afetaram até mesmo estúdios considerados seguros.

Andrew Willis, ex-produtor da ID Software, lamentou a perda de funcionários que dominavam tecnologias-chave da empresa, descrevendo como a demissão de pessoal técnico afetou a capacidade do estúdio de operar de forma eficaz. A Xbox se defendeu, afirmando que ainda possui uma equipe competente para desenvolver seus jogos, embora as informações sobre as horas de trabalho estendidas não tenham sido comentadas.

Com 1.600 demissões ainda por serem anunciadas, o clima de apreensão persiste entre os funcionários remanescentes. Os sindicatos afiliados à Communication Workers of America planejam protestos em frente a seis locais da Microsoft, buscando discutir compensações e reintegrações para os demitidos. Morgan Goin, que faz parte do comitê de negociação da ZOS, espera que essas ações tragam esperança aos afetados durante um período desafiador.