O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enviou uma carta ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) manifestando preocupação com possíveis sanções ao sistema de pagamentos PIX, afirmando que isso prejudicaria investimentos americanos no Brasil. Na correspondência, datada de 1º de julho, ele se comprometeu a garantir que o PIX não seja vinculado a sistemas de liquidação transfronteiriços fora do Ocidente.

Defesa do PIX e críticas às tarifas

Flávio argumenta que instrumentos de pagamento como cartões de crédito e débito oferecem funcionalidades que o PIX não pode substituir, como crédito ao consumidor e mecanismos de estorno. O senador considera que a imposição de tarifas seria uma medida inadequada, pois não alteraria a estrutura do sistema de pagamentos e ainda poderia prejudicar o investimento dos EUA no Brasil.

No documento, ele destaca o PIX como um marco da administração do ex-presidente Jair Bolsonaro e refuta alegações de conflitos de interesse apresentadas pelo governo do ex-presidente Donald Trump, chamando-as de exageradas. Flávio também menciona o sistema de pagamentos instantâneos americano, o FedNow, e compara sua operação com a do PIX.

Pedido de adiamento e contexto político

O senador solicitou um adiamento de 180 dias na aplicação de novas tarifas contra produtos brasileiros, propondo que a decisão seja postergada até após as eleições presidenciais no Brasil. Ele observa que as tarifas anteriores, implementadas pela gestão Trump, não tiveram efeitos positivos e acabaram fortalecendo o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, que utilizou as medidas tarifárias como argumento para promover uma narrativa de ataque à soberania nacional.

Flávio argumenta que a aplicação das tarifas poderia beneficiar o atual governo brasileiro, que estaria utilizando essas retaliações para obter vantagem política interna. Ele alerta que os custos dessa estratégia recairiam não apenas sobre a economia americana, mas também sobre os brasileiros que desejam um relacionamento construtivo com os Estados Unidos.

Na próxima semana, Flávio participará de uma audiência pública do USTR sobre as tarifas propostas pelo governo Trump. A lista de participantes inclui outros representantes, como Paulo Figueiredo, aliado da família Bolsonaro, e entidades da indústria e do setor rural.

O USTR propôs a aplicação de tarifas adicionais de 25% sobre produtos brasileiros, com base em uma investigação que concluiu que algumas políticas do Brasil eram prejudiciais ao comércio americano. O governo brasileiro, por sua vez, também enviou uma resposta à investigação, alegando que não há comprovações de discriminação ou barreiras ao comércio dos EUA.