A família de Caroline Pinto dos Santos, de 32 anos, que faleceu 25 dias após sofrer queimaduras em um incêndio durante uma cerimônia em um terreiro de candomblé na Zona Oeste do Rio, expressa sua indignação em relação ao uso de fogo em ambientes fechados. A irmã da vítima, Carina dos Santos, fez declarações ao RJ2, destacando que Caroline estava agachada em um canto, limpando um produto derramado, quando foi atingida pelas chamas.

Carina ressaltou que havia muitas crianças presentes no local, o que intensifica sua preocupação com a segurança das práticas religiosas. "Por que que eles vão usar um produto inflamável para colocar fogo no ambiente fechado? Tem alguma explicação?", questionou ela, clamando por justiça pela irmã.

Desespero e negligência

A irmã de Caroline também criticou a falta de apoio dos responsáveis pelo terreiro após o acidente. "A única vez que eu a vi foi no dia que levaram a minha irmã para o hospital queimada. A obrigação deles era estar ali junto, prestando socorro independente de qualquer coisa. Quem não tem culpa, não foge da família. Por que fugiu?", enfatizou Carina.

Um vídeo que circula nas redes sociais mostra um homem se aproximando de uma cumbuca com fogo e adicionando mais combustível, o que provocou um aumento repentino das chamas. Segundo a família, o homem nas imagens é Gabriel Pimentel, esposo da yalorixá Thayane Alves, responsável religiosa de Caroline. Na filmagem, é possível observar o desespero dos presentes, que correm em busca de água para apagar o incêndio.

Repercussão da tragédia

Após o acidente, Caroline foi levada ao Hospital Pedro II, em Santa Cruz, onde faleceu na quinta-feira (9). O sepultamento está marcado para sábado (11) no Cemitério Jardim da Saudade, em Paciência. Caroline deixa três filhas: uma de 16 anos, outra de 10 e a caçula de 5. Uma das filhas expressou sua dor nas redes sociais, afirmando: "mãe, você sempre será minha saudade eterna".

Carina descreveu Caroline como uma pessoa alegre e cheia de fé, lamentando a perda. "Minha irmã é uma pessoa maravilhosa. Ela não fez mal pra ninguém. Sempre foi muito alegre. Sempre foi muito animada em tudo... só quero justiça", completou.

A yalorixá Thayane Alves, que conduzia o ritual, publicou uma nota em suas redes sociais, que posteriormente foram desativadas. Na nota, afirmou que o babalorixá do terreiro não tinha relação com o uso do combustível e que o ritual tinha caráter particular, sendo conduzido por ela e seu esposo. Thayane classificou o incidente como um "acidente de natureza inesperada e imprevisível".

O caso foi registrado na 35ª DP (Campo Grande) e está sendo investigado pela 33ª DP (Realengo), onde inicialmente estava sendo apurado como lesão corporal culposa.