As novas restrições impostas pela União Europeia por meio do Regulamento sobre Produtos Livres de Desmatamento (EUDR) podem dificultar a venda de café brasileiro por cooperativas e pequenos produtores. O regulamento, que entra em vigor de forma gradual até junho de 2027, exigirá comprovação de que os produtos não foram cultivados em áreas desmatadas após dezembro de 2020.
Um estudo recente do projeto Descarbonização e Política Industrial, desenvolvido pelo Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), destaca que mais da metade (51,2%) da produção de café do Brasil é destinada à União Europeia, o que torna o setor especialmente vulnerável às novas exigências.
Impactos do EUDR
A pesquisa revela que o acesso ao mercado europeu agora dependerá de um processo rigoroso de verificação e rastreabilidade, o que pode ser um desafio significativo para micro e pequenos produtores, muitos dos quais enfrentam dificuldades técnicas e falta de regularização fundiária para garantir a origem sustentável de suas safras.
Os pesquisadores Kethelyn Ferreira e Marta Castilho, autoras do estudo, classificam o Brasil como um país de “risco padrão” sob a nova regulamentação, o que implica em custos adicionais e a criação de barreiras não tarifárias ao comércio. Segundo Ferreira, embora o EUDR tenha um objetivo ambiental legítimo, ele pode ser interpretado como uma forma de “protecionismo verde”, que favorece produtores locais em detrimento de concorrentes internacionais.
Cenário para o futuro
Além do café, outras commodities afetadas incluem gado bovino, cacau, óleo de palma, borracha, soja e madeira. O EUDR está programado para começar a valer para grandes e médios produtores em dezembro de 2026, enquanto micro e pequenos terão até junho de 2027 para se adaptar. A implementação do regulamento se dará logo após a entrada em vigor do acordo de livre comércio entre Mercosul e UE, que elimina tarifas sobre bens e serviços entre os blocos.
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