O ex-parlamentar europeu Stelios Kouloglou, que atuou no Parlamento Europeu de 2015 a 2024, foi alvo de invasões por meio do spyware Pegasus, conforme um relatório divulgado pelo Citizen Lab na última sexta-feira. A análise revelou que o celular do jornalista investigativo grego foi infectado pelo menos três vezes entre 2022 e 2023, enquanto Kouloglou participava de um comitê que investiga o uso de ferramentas de vigilância como o Pegasus.
Contexto da Investigação
A Comissão PEGA foi estabelecida em 2022 após denúncias de que governos da União Europeia utilizaram o Pegasus para monitorar jornalistas, ativistas e políticos. As invasões ao celular de Kouloglou ocorreram durante suas atividades em Atenas e Bruxelas, coincidindo com sua função na investigação sobre o uso ilegal do software.
Após as intrusões, Kouloglou recebeu notificações da Apple sobre possíveis violações de segurança, mas essas informações chegaram meses depois de cada incidente, segundo o Citizen Lab. Em maio, o ex-parlamentar solicitou uma investigação forense de seu dispositivo à organização canadense.
Implicações da Invasão
O relatório do Citizen Lab destacou o “sério risco que o spyware mercenário representa para a integridade dos processos democráticos”. A análise sugere que, caso a invasão tenha sido realizada por uma entidade governamental, isso poderia ter exposto trocas confidenciais entre os membros da Comissão PEGA e outros procedimentos parlamentares sensíveis.
Embora o Citizen Lab não tenha atribuído a responsabilidade pela invasão a um governo específico, a análise não encontrou evidências que ligassem a ação ao governo grego. O Pegasus, desenvolvido pelo NSO Group em Israel, permite que o operador tenha controle remoto sobre o dispositivo da vítima, acessando mensagens, fotos, contatos, câmera e microfone.
A NSO Group defende que o Pegasus é uma ferramenta legítima para agências de segurança e inteligência, mas o software tem sido utilizado para espionagem de jornalistas, advogados e dissidentes. Em 2021, a empresa foi incluída na lista negra pelo governo dos Estados Unidos por agir “contrariamente aos interesses de política externa e segurança nacional dos EUA”.
A empresa não respondeu imediatamente a um pedido de comentário sobre o caso. A Comissão Europeia também não se manifestou até o momento.
Rand Hammoud, diretora do programa de segurança, vigilância e direitos humanos no Center for Democracy and Technology Europe, afirmou que a situação deve preocupar todos que se preocupam com a democracia e os direitos fundamentais na Europa. “O fato de um membro do Parlamento Europeu, que faz parte da Comissão PEGA, ter sido alvo do Pegasus levanta sérias preocupações sobre a integridade da supervisão democrática”, disse Hammoud.
A eurodeputada alemã Hannah Neumann, também integrante da Comissão PEGA, pediu uma investigação imediata sobre as invasões. “Spyware não torna as democracias mais seguras”, afirmou Neumann em uma postagem na rede social X. “Isso enfraquece a supervisão democrática, a independência parlamentar e o estado de direito.”
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