A delegação dos Estados Unidos deixou uma reunião do Conselho de Segurança da ONU na segunda-feira, em um protesto contra declarações feitas pela França que compararam a votação dos EUA em questões de direitos humanos à de estados autoritários.

Contexto da polêmica

A tensão diplomática começou na semana passada, quando os EUA, ao lado de Coreia do Norte e Rússia, votaram contra a extensão do mandato de Volker Turk como Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos. Após essa votação, a missão da França na ONU criticou a posição americana, afirmando que “os EUA costumavam ser um farol de direitos humanos. Não mais”, conforme postado na plataforma X.

Reações entre os diplomatas

Em resposta às críticas, o embaixador dos EUA, Mike Waltz, acusou a França de apoiar um chefe de direitos humanos que estaria “dando palestras” a países democráticos enquanto se aproximava dos “piores opressores do mundo”, sem detalhar suas alegações. Turk, por sua vez, tem sido crítico da guerra da Rússia na Ucrânia e da conduta militar de Israel na Gaza.

A saída da delegação americana ocorreu enquanto o embaixador francês, Jérôme Bonnafont, falava durante uma reunião de emergência do Conselho de Segurança sobre a guerra da Rússia na Ucrânia. O embaixador dos EUA, Dan Negrea, afirmou que a delegação continuaria a protestar até que a França “renunciasse sua retórica condescendente e desrespeitosa”.

Implicações da votação e reações internacionais

A disputa em torno do segundo mandato de Turk, que foi aprovado com 144 votos a favor, 10 contra e 13 abstenções, ilustra as tensões crescentes entre Washington e a ONU. A administração Trump havia reduzido o financiamento para agências da ONU e se retirado de várias de suas entidades.

No último dia 16, o embaixador dos EUA, Jeff Bartos, criticou a reeleição de Turk, afirmando que “haverá consequências” para a assembleia que “tolerar excessos processuais, acordos nos bastidores e o uso indevido de cargos da ONU”. Bartos enfatizou que “os Estados Unidos reavaliarão imediatamente nosso engajamento, participação e financiamento”.

Por outro lado, o embaixador francês Bonnafont defendeu Turk como “uma voz de consciência” que demonstrou “rigor e imparcialidade” durante seu primeiro mandato. O porta-voz adjunto da ONU, Farhan Haq, se absteve de comentar sobre a saída dos EUA, ressaltando que a ONU espera que todos os Estados membros respeitem a decisão tomada.