Os Estados Unidos anunciaram a proibição da importação de robôs humanoides e quadrúpedes produzidos fora do país, uma decisão que pode excluir fabricantes chineses do mercado americano e potencialmente agravar as tensões entre Washington e Pequim.
A Comissão Federal de Comunicações (FCC) informou na terça-feira que "dispositivos robóticos avançados" feitos no exterior representam riscos à segurança nacional e cibernética. A decisão se baseou em um relatório de um grupo de trabalho da Casa Branca, que concluiu que robôs fabricados fora dos EUA poderiam criar "um risco cibernético que ameaça a segurança da infraestrutura crítica" e "a segurança e proteção" dos residentes americanos.
A FCC define os robôs móveis relevantes como dispositivos com mais de dois quilos que utilizam sensores, conectividade de rede e software para alcançar navegação autônoma, incluindo a evitação de obstáculos.
Domínio da China no mercado de robôs
O setor de robôs humanoides e quadrúpedes, também conhecidos como "cães-robôs", é considerado uma área de crescimento internacional significativo, com empresas dos EUA e da China competindo para desenvolver a tecnologia. A China lidera o mercado, com analistas do Barclays estimando que robôs humanoides fabricados no país respondem por cerca de 85% da participação global. Especialistas do Morgan Stanley preveem que o mercado chinês de robôs humanoides pode valer até 15 bilhões de dólares até 2030.
"Fabricantes chineses têm escalado a produção e reduzido custos mais rapidamente do que a maioria dos concorrentes internacionais", afirmou o analista Kangyuxiao Li, da Morningstar.
Nos Estados Unidos, empresas como a Figure AI já estão utilizando robôs humanoides em linhas de produção, enquanto a gigante tecnológica Tesla planeja iniciar a produção de seu robô "Optimus" ainda este ano. Contudo, as exportações de robôs dos EUA permanecem na casa das centenas, enquanto a Unitree e a AGIBOT, duas das maiores empresas chinesas de robótica avançada, enviaram mais de 5.000 robôs humanoides em 2025, segundo o grupo de pesquisa tecnológica Omdia.
Consequências diplomáticas e novas restrições
Além dos impactos no mercado industrial, a proibição da FCC pode ter consequências diplomáticas, especialmente com a reunião programada entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o primeiro-ministro chinês, Xi Jinping, em setembro. Os EUA já haviam banido importações de drones fabricados na China e estão considerando restrições em modelos de inteligência artificial de código aberto, citando preocupações de segurança cibernética, incluindo espionagem e coleta de dados.
Recentemente, o Pentágono incluiu a Unitree e várias outras grandes empresas de tecnologia chinesas em sua lista de firmas que supostamente têm vínculos com o exército chinês, uma afirmação que Pequim disse "opor-se firmemente".
A FCC também adicionou inversores de energia fabricados no exterior à lista de itens proibidos, citando preocupações semelhantes de segurança cibernética, afirmando que esses dispositivos poderiam ser desativados remotamente ou usados para coletar dados. Assim como a proibição dos robôs humanoides, as restrições aos inversores devem impactar principalmente os fabricantes chineses, que dominam o mercado global de inversores solares.
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