Os Estados Unidos anunciaram sanções contra uma das principais refinarias de ouro de Ruanda, a Gasabo Gold Refinery, e dois de seus executivos, Jean Malic Kalima e Bosco Kayobotsi. As sanções foram impostas devido a acusações de que a refinaria estaria envolvida no contrabando de minerais provenientes de áreas controladas pelo grupo rebelde M23, na vizinha República Democrática do Congo (RDC).
De acordo com o governo americano, existe uma "rede" que colaboraria com o M23, que controla regiões da RDC ricas em ouro e coltan, um minério essencial para a fabricação de eletrônicos. Apesar das evidências apresentadas por especialistas da ONU, o governo ruandense sempre negou apoio ao M23 e, até o momento, não se manifestou sobre as novas sanções.
As sanções, divulgadas na quinta-feira, também visam três empresas de mineração controladas por Kalima: Bugambira Mines, Wolfram Mining and Processing e Rwinkwavu Mining Corporation. A Gasabo Gold Refinery já havia sido sancionada anteriormente pela União Europeia por "explorar o conflito armado" na RDC.
As autoridades americanas afirmam que, em 2026, pelo menos 60 kg de ouro, avaliados em milhões de dólares, foram contrabandeados da RDC para a Gasabo Gold. A declaração do Tesouro dos EUA acusa oficiais e soldados do governo ruandense de supervisionarem esse esquema.
O secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que os Estados Unidos não permitirão que grupos ilegais lucrem com o comércio ilícito de minerais e desestabilizem a região. As sanções também preveem o congelamento de ativos sob jurisdição americana e proíbem cidadãos e empresas dos EUA de manter relações comerciais com os sancionados.
Esta ação se alinha a um acordo de paz mediado pelos EUA e assinado em dezembro passado, que visa encerrar o conflito de longa data no leste da RDC e promover um setor mineral mais transparente.
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