A primeira-dama Rosângela Lula da Silva, conhecida como Janja, afirmou nesta segunda-feira (13.jul.2026) que já enfrentou situações de assédio durante sua atuação pública ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A declaração ocorreu em uma entrevista durante o programa Fronte a Frente, uma colaboração entre UOL e Folha de S.Paulo, onde Janja comentou sobre seu apoio à ex-ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco.
“Eu fui assediada como primeira-dama”, declarou Janja, ressaltando que sua decisão de não ter falado anteriormente sobre o assunto foi uma escolha pessoal. “Não falei porque eu não quis. Falei na hora que eu achei que eu tinha que falar”, completou.
Esta não é a primeira vez que a primeira-dama aborda o tema. Em março de 2026, ela já havia mencionado ter sido assediada duas vezes desde que assumiu o cargo, sem entrar em detalhes sobre os incidentes. Janja explicou que decidiu tornar público o que vivenciou para dar visibilidade a um problema que afeta muitas mulheres. “Nenhuma mulher está segura”, afirmou, enfatizando que o assédio pode ocorrer mesmo em eventos oficiais, com a presença de equipes de segurança.
A ex-ministra Anielle Franco também relatou ter sido vítima de importunação sexual pelo então ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida. O caso veio à tona em 5 de setembro de 2024, por meio de uma reportagem do jornalista Guilherme Amado, e resultou na demissão de Almeida no dia seguinte.
Janja afirmou que, ao apoiar Anielle, não hesitou. “Não preciso tomar uma decisão de que eu vou apoiar uma mulher que tá passando por isso. Eu simplesmente apoio”, disse, ressaltando que não questionou a colega sobre os detalhes do caso.
A primeira-dama também criticou a pressão que as vítimas de assédio enfrentam. “Os homens cobram demais a gente sobre isso. Por que você não falou? Porque é confortável para eles. A responsabilidade fica no colo de quem sofreu”, declarou.
Compromisso com a luta contra a violência de gênero
O enfrentamento da violência contra a mulher é uma das prioridades de Janja em seu papel como primeira-dama. Ela é uma das principais articuladoras do Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio, lançado em fevereiro de 2026 pelo presidente Lula, em parceria com o STF (Supremo Tribunal Federal), a Câmara e o Senado. Em junho, Janja percorreu os estados do Ceará e Rio Grande do Norte para promover a adesão ao pacto.
Além disso, a primeira-dama defende publicamente o Projeto de Lei da Misoginia, que busca equiparar a misoginia ao crime de racismo. Janja também se posicionou contra grupos conhecidos como “red pill”, que, segundo ela, disseminam discursos misóginos nas redes sociais entre os jovens.
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