Alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA) da rede municipal de São Paulo desenvolveram uma cadeira de rodas inteligente a partir de tubos de PVC, rodas de bicicleta e componentes eletrônicos. O projeto foi realizado em 2025 na EMEF Manoel Vieira de Queiroz Filho, localizada no CEU Parelheiros, com o objetivo de unir acessibilidade e tecnologia.
Inspiração e desenvolvimento do projeto
O projeto foi inspirado pela necessidade da comunidade escolar, onde cerca de 140 dos 1,2 mil alunos eram identificados como público-alvo da educação especial, conforme dados da Secretaria Municipal de Educação. A professora Selma Jacome, orientadora de Educação Digital, incentivou os alunos a criar uma solução de robótica inclusiva, promovendo uma experiência prática para resolver um problema real.
Construção e funcionamento da cadeira
A estrutura da cadeira foi montada com tubos e conexões de PVC, permitindo adaptações durante os testes. As rodas de bicicleta foram utilizadas nas partes traseira e dianteira, enquanto madeira e tecido formaram o assento. Para o movimento, os alunos utilizaram motores de sistemas de vidro elétrico de automóveis, com uma bateria de motocicleta fornecendo energia. Componentes como catracas e correntes foram empregados para a transmissão mecânica, permitindo que os estudantes compreendessem a dinâmica do movimento.
A parte eletrônica do projeto incluiu um Arduino Nano, que recebeu comandos de um joystick analógico instalado no apoio de braço. O Arduino interpretava os sinais e controlava a direção e velocidade dos motores, transformando a montagem em um projeto de robótica.
Aprendizado e apresentação do protótipo
Durante o desenvolvimento, os alunos enfrentaram diversos desafios, onde erros na programação ou na estrutura exigiam revisões constantes. Este processo integrou conhecimentos de programação, eletricidade, mecânica, geometria e sustentabilidade, além de promover o trabalho em equipe.
A cadeira foi testada nos corredores da escola e apresentada a estudantes, professores e familiares. A Secretaria Municipal de Educação a classificou como funcional e prática, embora essas avaliações não correspondam a uma certificação técnica independente.
Eventos e limitações do projeto
O protótipo foi exibido em eventos como o Seminário de Educação Especial Juntos Pela Aprendizagem e o 12º Seminário e Mostra de Tecnologias, onde os alunos puderam compartilhar sua experiência com outras equipes. Apesar do sucesso nas demonstrações, a cadeira ainda não pode ser considerada uma alternativa a cadeiras de rodas motorizadas certificadas, uma vez que não foram divulgadas informações sobre capacidade de carga, desempenho ou resistência.
O principal valor do projeto reside no aprendizado e na demonstração de que estudantes da EJA são capazes de desenvolver soluções tecnológicas com materiais acessíveis, transformando a sala de aula em um espaço criativo e colaborativo.
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