Berlim: estrangeiros sem direito ao voto
A cosmopolita Berlim, capital da Alemanha, enfrenta um dilema democrático: enquanto a população adulta cresce e se torna mais internacional, grande parte dos residentes não pode participar das eleições.
Segundo dados do governo de Berlim, cerca de 976 mil adultos, representando um quarto da população, estão impedidos de votar porque não possuem cidadania alemã. Esse número dobrou desde 2011.
Abdu, um desenvolvedor de software egípcio que viveu em Berlim por sete anos, explica que apesar de amar a cidade, sente-se excluído do processo eleitoral. 'Somos pessoas que pagamos impostos, mas não temos representação, nem mesmo no nível local', afirmou.
Consequências da estrutura política
A estrutura política alemã contribui para essa exclusão. Enquanto outros países europeus permitem que cidadãos de outros EUA votem em eleições municipais, a Alemanha restringe os direitos eleitorais a apenas seus cidadãos.
No caso de Berlim, que é um estado federado, as eleições são estatais, o que limita ainda mais os direitos de voto. As eleições municipais, onde os cidadãos de outros EUA podem votar, decidem apenas sobre os governantes de distritos menores.
Para conscientizar sobre esse problema, a prefeita do bairro Mitte, Stefanie Remlinger, organizou uma 'eleição simbólica' para os estrangeiros residentes em seu distrito. Cerca de 135 mil adultos poderão votar em 15 locais durante duas semanas em setembro.
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