A 100 dias do primeiro turno das eleições presidenciais, os eleitores independentes, que constituem 32% do eleitorado brasileiro, estão se tornando alvo das pré-campanhas. Este grupo, que não se identifica com ideologias de esquerda ou direita, é considerado um potencial fator de desempate nas eleições.

Os eleitores independentes, segundo o diretor da Quaest, Felipe Nunes, priorizam questões pragmáticas, como a defesa da democracia, segurança pública, combate à corrupção e desburocratização, ao invés de se guiarem por ideologias partidárias.

Movimentações no cenário eleitoral

A pesquisa da Quaest de junho indicou uma mudança significativa nas preferências dos eleitores independentes. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca a reeleição, passou a liderar nas intenções de voto com 37%, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) aparece com 24%. Essa mudança é vista como resultado da perda de apoio de Flávio entre os independentes.

Nunes ressalta que a vantagem de Lula sobre Flávio no segundo turno está ligada à diminuição do apelo do senador entre os eleitores menos ideologicamente alinhados. "Esse dado é relevante e pode sinalizar uma mudança no comportamento desse grupo", afirma.

Fatores que influenciam a mudança

Dois eventos recentes podem ter contribuído para essa alteração na opinião dos independentes. O primeiro foi o caso envolvendo Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, em que 65% dos independentes acreditam que o senador estava ciente das suspeitas de corrupção. O segundo foi uma visita de Flávio aos EUA, onde 41% dos independentes afirmaram que Lula defende melhor os interesses do país.

Desafio para os candidatos

Os eleitores independentes são predominantes em todas as regiões do país e representam 35% da população que ganha até dois salários mínimos. Contudo, apenas 10% demonstram intenção real de votar, o que representa um desafio para os candidatos, que precisam não apenas conquistar esse eleitor, mas também incentivá-lo a exercer seu direito nas urnas.