O El Niño, fenômeno climático que já se formou no Oceano Pacífico, deve ganhar força rapidamente entre julho e setembro de 2023, aumentando o risco de ondas de calor, secas e chuvas intensas em várias partes do mundo. O alerta foi emitido pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) nesta sexta-feira, 3 de novembro.
As previsões dos principais centros meteorológicos indicam um aquecimento acentuado das águas do Pacífico equatorial, especialmente nas regiões central e leste do oceano. Em algumas áreas monitoradas, a temperatura da superfície do mar pode superar 2°C acima da média. Segundo a OMM, os modelos climáticos apresentam resultados consistentes, o que fortalece a expectativa de que este episódio do El Niño será classificado como forte.
Projeções e impactos do fenômeno
A tendência é que o El Niño continue a se intensificar ao longo do segundo semestre de 2023, alcançando seu pico entre novembro e fevereiro. “O El Niño já está em curso e deve se fortalecer rapidamente, transformando-se em um evento forte”, afirmou Celeste Saulo, secretária-geral da OMM. Ela destacou que o fenômeno eleva as chances de secas e chuvas intensas, além de ondas de calor tanto em áreas continentais quanto nos oceanos.
A força do El Niño dependerá do aquecimento das águas do Pacífico Equatorial nos próximos meses e da resposta da atmosfera a esse aquecimento. Para que o fenômeno se intensifique, é necessário que o sistema oceano-atmosfera atue de forma acoplada e persistente.
Histórico e efeitos do El Niño
Desde 2006, uma série de episódios de El Niño tem alterado cada vez mais o clima do planeta, que já apresenta temperaturas superiores às do passado. Mesmo eventos considerados fracos ou moderados podem aumentar o risco de extremos, como secas, enchentes e ondas de calor. Exemplos incluem:
- 2006–2007: El Niño fraco a moderado.
- 2009–2010: El Niño moderado.
- 2014–2016: El Niño muito forte, associado a recordes de calor.
- 2018–2019: El Niño fraco a moderado.
- 2023–2024: El Niño forte, um dos mais intensos já registrados.
O El Niño é caracterizado por um aquecimento anômalo das águas do Oceano Pacífico, especialmente na faixa equatorial. Esse fenômeno altera a circulação atmosférica, resultando em mudanças nos padrões de chuvas e temperaturas em várias regiões do globo. No Brasil, os efeitos são variados: o Sul tende a receber mais chuvas, enquanto o Norte e partes do Nordeste podem enfrentar secas. As temperaturas globais tendem a aumentar em anos de El Niño mais intenso, contribuindo para o aquecimento global.
As condições geradas pelo El Niño podem também facilitar queimadas e impactar a produção agrícola, conforme alertam especialistas.
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