Um homem identificado como Lobga Rangzen, ativista tibetano, morreu após se autoimolar em frente à sede da Organização das Nações Unidas (ONU) em Nova York, na quinta-feira (2). O ato ocorreu durante uma manifestação pela independência do Tibete, em resposta às restrições impostas pelo governo chinês.

Circunstâncias do ato de protesto

De acordo com a polícia de Nova York, agentes foram acionados para atender a um chamado de emergência às 18h30 (horário local) e encontraram Rangzen gravemente queimado. Ele foi levado ao Hospital Bellevue, onde foi declarado morto.

O veículo de comunicação Voz do Tibete, que representa tibetanos exilados, relatou que Rangzen realizou a autoimolação após uma transmissão ao vivo na qual clamava pela independência e pela unidade do Tibete. Informações de um site de notícias local, amNewYork, indicam que ele trabalhava como motorista de Uber e estava portando uma bandeira tibetana no momento do ato.

Contexto das tensões no Tibete

A morte de Rangzen ocorre em um contexto de crescente preocupação internacional em relação à nova lei de unidade étnica da China, que entrou em vigor recentemente. Essa legislação fornece ao governo chinês uma base legal para adotar medidas contra cidadãos chineses no exterior, o que tem gerado reações negativas dos Estados Unidos e da União Europeia.

As comunidades tibetanas ao redor do mundo têm se manifestado contra essa nova norma, que visa criar uma identidade nacional compartilhada entre os 55 grupos étnicos da China, incluindo tibetanos e uigures, que resistem ao domínio chinês. A autoimolação tem sido uma forma de protesto recorrente por parte de tibetanos insatisfeitos com as políticas do governo de Pequim.

A China, que tomou controle do Tibete em 1950, caracteriza essa ação como uma “libertação pacífica”, enquanto organizações de direitos humanos e grupos de exilados denunciam a opressão do regime chinês nas áreas tibetanas. Desde a presidência de Xi Jinping, em 2012, o controle sobre o Tibete tem se intensificado, com uma vigilância rigorosa sobre qualquer manifestação de separatismo.

Tencho Gyatso, presidente da Campanha Internacional pelo Tibete, expressou sua tristeza pela morte de Rangzen, descrevendo-o como um “defensor incansável do Tibete”. Dados da mesma organização indicam que entre 2009 e 2022, mais de 150 autoimolações de tibetanos foram registradas, com 10 ocorrendo entre cidadãos no exílio.