A economia do Reino Unido voltou a crescer em maio, com uma expansão de 0,1%, conforme divulgado pelo Office for National Statistics (ONS). O crescimento foi impulsionado pelo setor de serviços, embora tenha sido contrabalançado por quedas nos setores de produção e construção.

Esse crescimento ocorre após uma leve contração em abril, e analistas apontam que os dados recentes indicam que a economia conseguiu lidar melhor do que o esperado com o aumento dos preços de energia, causado pelo conflito no Oriente Médio.

No entanto, especialistas alertam que a economia britânica permanece "frágil", e o novo primeiro-ministro, Andy Burnham, enfrentará o desafio de incentivar o crescimento.

Desempenho do setor de serviços e desafios futuros

Nos três meses até maio, o ONS registrou um crescimento de 0,7% na economia, em comparação ao período anterior. Liz McKeown, diretora de estatísticas econômicas do ONS, comentou que "a economia apresentou um crescimento robusto nos três meses até maio, embora o ritmo tenha diminuído um pouco, pois os últimos dois meses mostraram um quadro mais fraco".

Os setores de programação de computadores e publicidade lideraram o crescimento, enquanto a indústria farmacêutica, frequentemente volátil, também teve um desempenho positivo. Apesar de um início de ano forte, o crescimento tem enfrentado dificuldades nos últimos meses devido ao impacto do conflito no Oriente Médio.

Impactos da guerra e aumento dos preços de energia

A guerra no Irã resultou em um aumento nos preços do petróleo e dos combustíveis, além de ter provocado interrupções nas cadeias de suprimento. O ONS destacou que empresas de vários setores, incluindo indústrias de manufatura, hospitalidade, agências de viagens e empresas de entretenimento, relataram que o conflito afetou suas atividades.

Desde que os hostilidades recomeçaram entre os EUA e o Irã na semana passada, o preço do petróleo subiu de cerca de US$ 72 para US$ 84 por barril, embora ainda esteja bem abaixo do pico de aproximadamente US$ 120 registrado no início deste ano.

Fergus Jimenez-England, economista associado do National Institute of Economic and Social Research, afirmou que "os dados de hoje confirmam que o crescimento permanece frágil" e ressaltou que, com os preços de energia subindo novamente, todos os olhares estão voltados para o novo primeiro-ministro em busca de estabilidade necessária.

Yael Selfin, economista-chefe da KPMG, sugeriu que o clima mais quente e a Copa do Mundo podem ter estimulado o consumo em junho e julho, mas alertou que isso "pode não ser suficiente para compensar a fraqueza em outras partes da economia".

Paul Dales, economista-chefe do Capital Economics, comentou que o crescimento de maio "não é um presente de boas-vindas ruim para o novo PM Andy Burnham", mas advertiu que, com o aumento dos preços de energia restringindo a renda real, ele não deve se acostumar com isso.

Em resposta aos últimos dados, um porta-voz do Tesouro afirmou que "temos o plano econômico certo, que colocou o Reino Unido em uma posição muito mais forte do que há dois anos, com o crescimento mais rápido no G7 no primeiro trimestre e a OCDE concordando que restauramos a estabilidade". Por outro lado, o chanceler das sombras, Sir Mel Stride, criticou a chanceler Rachel Reeves, afirmando que ela "falhou" em suas tentativas de estimular o crescimento.