O acordo de livre comércio (FTA) entre Índia e Reino Unido, que entrou em vigor na quarta-feira, promete transformar o cenário comercial entre os dois países, beneficiando tanto os consumidores quanto as empresas. A Welspun Living, fabricante indiana de toalhas para o torneio de Wimbledon, está entre as empresas que se preparam para aproveitar as oportunidades geradas pelo novo tratado.
A Welspun Living, um dos maiores fabricantes de têxteis do lar na Índia, fornece produtos como lençóis e toalhas para grandes varejistas britânicos, incluindo John Lewis e Tesco. "Nos últimos meses, muitas dessas marcas estiveram na Índia para traçar um plano de negócios para os próximos anos. Antes, realizávamos planejamento conjunto apenas com clientes dos EUA, mas agora, com o acordo, isso também está acontecendo com clientes do Reino Unido", afirmou Dipali Goenka, CEO da Welspun Living.
Impactos econômicos do acordo
O FTA entre as quinta e sexta maiores economias do mundo elimina ou reduz tarifas sobre 99% das exportações indianas para o Reino Unido e 90% das importações britânicas para a Índia. O governo britânico considera que este é o "maior e mais significativo pacto comercial bilateral" desde a saída da União Europeia, com uma projeção de aumento do PIB do Reino Unido em 0,13%, equivalente a £4,8 bilhões (cerca de R$ 39 bilhões) e da Índia em 0,06%, ou £5,1 bilhões por ano a longo prazo.
Setores que dependem de mão de obra, como têxteis, vestuário, calçados, automóveis e produtos marinhos, esperam que a implementação do acordo impulsione o crescimento dos negócios. Goenka expressou otimismo, afirmando que as exportações para o Reino Unido devem crescer em dois dígitos.
Desafios e oportunidades
Historicamente, a Índia enfrentou desvantagens em comparação com países como Bangladesh e Paquistão, cujas exportações chegavam ao Reino Unido sem tarifas por meio do Developing Countries Trading Scheme. Com o novo acordo, essa situação deve mudar. Goenka destacou que a participação do Paquistão nas exportações de têxteis para o Reino Unido é de cerca de 55%, enquanto a da Índia é de apenas 6-7%. "Agora, podemos finalmente preencher essa lacuna", afirmou.
O tratado também pode beneficiar empresas britânicas de bebidas alcoólicas. A redução das tarifas sobre o whisky escocês de 150% para 75% imediatamente, e posteriormente para 40% em dez anos, representa uma mudança significativa. Avneet Singh, da Modern Drinks Pvt Ltd, destacou que a preparação para a nova estrutura tarifária está em andamento, com foco na documentação e conformidade necessárias para garantir que os envios possam aproveitar as novas condições desde o primeiro dia.
No entanto, especialistas alertam que o impacto geral do acordo pode ser "incremental em vez de transformacional". Dados da Global Trade Research Initiative mostram que, no ano fiscal de 2025-2026, a Índia exportou bens no valor de $13,4 bilhões para o Reino Unido, mas mais da metade dessas exportações entrou no país sem tarifas sob o regime de nação mais favorecida. Além disso, a Índia importou $11,7 bilhões do Reino Unido, sendo que mais de 45% desse valor consistia em prata, que não está incluída no acordo.
O verdadeiro teste do pacto será se produtos que antes enfrentavam tarifas de 4% a 16% no Reino Unido, como têxteis, vestuário e frutas, experimentarão um aumento nas ordens de exportação e margens de lucro. A implementação do acordo deve apresentar resultados visíveis nos próximos um a três anos, segundo Ajay Srivastava, da GTRI.
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