Doze estados norte-americanos entraram com um processo para barrar a compra da Warner Bros. Discovery pela Paramount Skydance, avaliada em $110 bilhões. A ação judicial, movida em um tribunal federal em Oakland, Califórnia, argumenta que a fusão prejudicaria a concorrência e aumentaria os preços no setor de filmes e televisão.

A medida, liderada pelo procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, surge após a aprovação da transação pelo Departamento de Justiça dos EUA (DOJ) sem condições. Segundo o DOJ, a aquisição não representaria risco à concorrência ou aos consumidores.

Argumentos contra a fusão

Bonta descreveu a união entre dois dos últimos cinco estúdios tradicionais de Hollywood como "ilícita", afirmando que resultaria em "preços mais altos, menor qualidade e menos conteúdo" para o público. "Todos os espectadores, em cada sofá e em cada assento de cinema, sentiriam o impacto desta fusão ilegal", declarou Bonta em uma coletiva de imprensa.

A disputa pela Warner Bros. Discovery foi uma das maiores batalhas de aquisição na mídia em décadas, com a Paramount vencendo a concorrência com uma oferta de $31 por ação, após a Netflix desistir da negociação. A fusão reuniria dois grandes estúdios de Hollywood e duas plataformas de streaming, HBO Max e Paramount+, além de colocar a CNN e a CBS News sob a mesma propriedade. Críticos temem que a independência editorial da CNN seja comprometida sob a gestão da Paramount.

Preocupações com a concentração de poder

Legisladores e grupos do setor de entretenimento alertam que a compra da Warner pela Paramount resultaria em uma maior concentração de poder em uma indústria dominada por poucos grandes players. Eles expressam receio de que a fusão leve a cortes de empregos, diminuição da diversidade na produção cinematográfica e mais desafios para consumidores que já enfrentam o aumento dos custos de assinaturas de streaming.

A Paramount e a Warner pretendem concluir o negócio no terceiro trimestre deste ano e sinalizaram esforços para acelerar o processo nas próximas semanas. No entanto, a ação judicial dos estados pode complicar esses planos.

Reações e implicações políticas

O processo argumenta que a fusão viola a legislação antitruste, com os estados afirmando que a nova empresa controlaria mais de um quarto da receita gerada por filmes de grande lançamento e canais de TV a cabo nos EUA. A Paramount, por sua vez, considera a ação como uma distorção da legislação antitruste vigente e uma má representação da concorrência no setor de entretenimento.

Além disso, a aquisição está sendo analisada por órgãos antitruste fora dos EUA, incluindo na Europa. A coalizão de estados contra a fusão inclui procuradores-gerais de Arizona, Colorado, Connecticut, Massachusetts, Minnesota, Nevada, Nova Jersey, Novo México, Nova York, Oregon e Washington, todos do Partido Democrata.

Críticos da fusão alegam que as conexões políticas da Paramount facilitaram a aprovação do DOJ em junho. O CEO da Paramount, David Ellison, é filho do bilionário Larry Ellison, cofundador da Oracle e aliado próximo do ex-presidente Donald Trump. A procuradora-geral do Arizona, Kris Mayes, levantou questões sobre a influência política no processo, afirmando que "estamos vendo cada vez mais casos em que o DOJ de Trump simplesmente se curva à consolidação corporativa".