Nos últimos dois anos, mais de 700 crianças e adolescentes foram retirados do convívio de suas famílias em Goiânia. Por trás de cada número, há uma história de abandono, violência, negligência, dependência química ou incapacidade dos responsáveis de garantir os cuidados básicos. Depois da retirada, começa outra etapa, menos conhecida: a vida dentro das instituições de acolhimento.
Em Goiânia, parte dessas unidades é administrada por organizações da sociedade civil, que dependem de diferentes fontes de recursos para manter estruturas, contratar funcionários e cuidar das crianças. Além disso, a rede convive com desafios de financiamento, fiscalização e reinserção familiar. Emerson Rodrigo, que foi acolhido aos 11 e saiu aos 18 anos, sua idade atual, foi o protagonista de uma dessas histórias e conheceu faces opostas desse sistema.
Sua família veio de Petrolina, Pernambuco, para tentar melhorar de vida em Goiás, mas sua mãe era dependente química, e ele e mais três irmãos viviam de pedir dinheiro nas ruas e foram retirados do convívio familiar pelo Conselho Tutelar. Emerson atualmente. Foto: Acervo Pessoal No seu primeiro acolhimento, que fica na Cidade de Goiás, conta ter presenciado violência contra os irmãos.
Já na capital, diz ter encontrado uma família. “Eles cuidavam de nós como se fôssemos filhos deles. Davam carinho.
Nós éramos muito amados por eles”, lembra, ao falar sobre o período em que viveu no Brazilian Kids. A experiência de Emerson levanta uma questão que atravessa a rede de acolhimento: o que determina a qualidade da vida de uma criança depois que ela é retirada dos próprios pais?
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