A Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA) se vê diante de um novo desafio em sua relação com o Irã, em meio a um embate contínuo entre Washington e Teerã sobre a possibilidade de verificações internacionais no cumprimento das obrigações iranianas em relação à não proliferação nuclear.

Ex-altos funcionários comentaram que a eficácia das inspeções dependerá da escala, escopo e grau de acesso que a IAEA terá. Raffael Grossi, diretor-geral da IAEA, anunciou que a agência "trabalhará nas modalidades - datas, procedimentos, locais - em breve".

Plano de Inspeções

Especialistas acreditam que a IAEA já possui uma lista de prioridades para as inspeções futuras. Laura Rockwood, ex-negociadora da IAEA, afirmou que a organização tem um plano preparado para quando for retomar as visitas, com foco na localização do urânio enriquecido.

Processo de Diluição de Urânio

Embora o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, tenha afirmado que o Irã aceitou inspeções rigorosas, o país nega a intenção de permitir tais verificações. O memorando de entendimento (MOU) entre EUA e Irã estabelece que o urânio enriquecido deve ser diluído sob supervisão da IAEA, mas o método e a implementação dessa prática permanecem controversos.

Matthew Sharp, ex-diretor de questões nucleares do Conselho de Segurança Nacional dos EUA, destacou que a forma como o urânio será diluído é crucial, pois se o Irã realizar o processo sem supervisão, a verificação da quantidade inicial de urânio enriquecido se tornará complexa.

Monitoramento do Enriquecimento

O MOU também menciona que as partes discutirão o enriquecimento de urânio sob um framework a ser acordado. Especialistas ressaltam que a IAEA deve ter acesso para garantir que não haja atividades nucleares clandestinas no Irã.

O futuro das inspeções e o papel da IAEA são fundamentais para assegurar a transparência e a responsabilidade do programa nuclear iraniano, especialmente após o histórico de não conformidade que o país apresentou em negociações anteriores.