Deputados influentes do Partido Trabalhista estão instando Andy Burnham a retomar a liderança do partido em questões de desenvolvimento internacional e a restabelecer a meta de 0,7% da renda nacional para ajuda externa. A proposta faz parte de uma coleção de ensaios que será publicada em breve pelo think tank New Economics Foundation (NEF), onde os parlamentares delineiam sugestões para uma possível administração Burnham.
O projeto surgiu de encontros entre deputados e especialistas em políticas, incluindo David Miliband, cotado para o cargo de secretário de Relações Exteriores em um governo Burnham, e Mark Malloch-Brown, ex-subsecretário-geral da ONU. No panfleto, Fleur Anderson, ex-ministra com experiência em desenvolvimento internacional, pede que Burnham se comprometa a retornar ao gasto de 0,7% da renda nacional em ajuda.
Propostas para o futuro da política externa
Anderson sugere um plano de dez anos para atingir essa meta, permitindo que futuros governos se afastem dela em tempos de crise. “O que importa não são metas anuais mecânicas, mas estabelecer uma trajetória de longo prazo que governos parceiros, instituições multilaterais, ONGs e organizações locais possam planejar”, afirma em sua contribuição.
A meta de 0,7% foi estabelecida durante o governo de Gordon Brown, mas foi abandonada em 2020 por Rishi Sunak sob a justificativa de ser uma medida temporária durante a pandemia de Covid-19. Em vez de restaurá-la, Keir Starmer optou por realizar cortes significativos nos gastos com ajuda e redirecionar os recursos para a defesa, resultando na renúncia da ministra de Desenvolvimento, Anneliese Dodds.
Discussões sobre tributação global e desenvolvimento
Liam Byrne, presidente do comitê de negócios e comércio da Câmara dos Comuns, propõe que o Reino Unido use sua presidência do G20, em 2027, para promover discussões sobre um imposto global sobre a riqueza. O Reino Unido assumirá a liderança do G20 dos EUA, que sob Donald Trump, buscou minimizar seu papel. Byrne argumenta que a defesa de um imposto internacional sobre a riqueza daria continuidade ao trabalho de presidentes anteriores, como os da África do Sul e do Brasil.
“O Reino Unido, respeitado por seu design institucional e coordenação, poderia aproveitar esse momento e ajudar a resolver o problema de elaborar um imposto que realmente funcione e que ajude a mobilizar recursos internos em países ricos e pobres”, escreve Byrne.
Campanhas de desenvolvimento têm pressionado o governo de Starmer a apresentar uma agenda ambiciosa para o G20. Na última administração trabalhista, Tony Blair e Gordon Brown utilizaram a presidência do Reino Unido no G8 para garantir um acordo internacional sobre um programa ambicioso de alívio da dívida para os países mais pobres do mundo.
Outro ex-ministro trabalhista, Gareth Thomas, sugere que o G20 – assim como a presidência do Reino Unido no G7 no ano seguinte – poderia ser usado para iniciar discussões sobre o que deve substituir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, que expiram em 2030. “As presidências do G20 e G7 são uma oportunidade que não deve ser perdida para acender o processo”, afirma Thomas.
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