Pesquisadores da Universidade Tecnológica de Nanyang, em Cingapura, desenvolveram um traje que permite a baratas cibernéticas controladas remotamente respirarem debaixo d'água. Esse avanço pode abrir novas possibilidades para a exploração em ambientes hostis, como Marte.
Desde 2021, Hirotaka Sato e sua equipe demonstraram que baratas de Madagascar (Gromphadorhina portentosa) podiam ser controladas por eletrodos implantados em seus órgãos sensoriais. Em 2024, foi mostrado que um enxame de 20 desses insetos poderia operar em coordenação. O objetivo inicial é criar robôs biológicos com sensores infravermelhos para serem usados em situações de desastres naturais, buscando sobreviventes em áreas de difícil acesso.
No entanto, a equipe ficou insatisfeita com a limitação das baratas em ambientes inundados, frequentemente encontrados em zonas de desastre. Para contornar essa dificuldade, o grupo desenvolveu um traje subaquático que fornece oxigênio aos insetos.
As baratas respiram através de poros chamados espiráculos, localizados em seu abdômen e tórax. Para proteger esses espiráculos da água, os pesquisadores imprimiram em 3D um traje à prova d'água. Pequenos tubos conectam o traje aos espiráculos do tórax, permitindo a entrada de oxigênio gerado pela reação entre peróxido de hidrogênio e dióxido de manganês.
Com o traje, as baratas conseguiram nadar por até 3 horas a uma profundidade de 50 centímetros, mantendo-se saudáveis após o uso. Em testes, os insetos alcançaram uma velocidade média de 87,5 milímetros por segundo em terra e 78,4 milímetros por segundo debaixo d'água.
O objetivo de Sato é utilizar essa tecnologia em futuras explorações espaciais. Ele acredita que, apesar das preocupações sobre contaminação, os insetos robôs podem ser uma solução eficiente para missões em ambientes sem oxigênio.
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