Em 2026, a crescente crise habitacional nos países ocidentais se tornou uma prioridade nas agendas dos governos mais ricos do mundo. No Reino Unido, uma nova legislação de direitos dos inquilinos entrou em vigor em 1º de maio, encerrando as despejos sem justa causa, marcando uma das maiores reformas no setor de aluguel em décadas.
Na Europa, a Comissão e o Parlamento Europeus iniciaram um novo esforço para abordar a acessibilidade da habitação, enquanto, nos Estados Unidos, o Senado avançou com um projeto de lei bipartidário que visa facilitar a construção de novas moradias e ampliar a oferta de habitação acessível.
Especialistas apontam que a falta de habitação acessível representa um problema crescente em todo o Ocidente. De Londres a Toronto, de Berlim a Sydney, o aumento dos preços de aluguéis e imóveis tem superado os salários, impossibilitando que os jovens adquiram suas casas e gerando pressão sobre os governos para que definam se a habitação deve ser vista como uma necessidade básica ou um ativo financeiro.
O que significa habitação inacessível?
A falta de habitação acessível refere-se ao aumento dos custos de moradia, que tem superado os rendimentos, forçando as famílias a destinar uma parte significativa de sua renda para aluguel, hipotecas e serviços públicos. Segundo o Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (UN-Habitat), considera-se que a habitação é inacessível quando os custos excedem 30% da renda familiar.
Historicamente, a acessibilidade habitacional nos países ocidentais foi sustentada por uma combinação de habitação social e construção de moradias a preços acessíveis. No entanto, a crise começou a se aprofundar à medida que muitos governos reduziram investimentos em habitação pública e social, deixando o mercado privado determinar preços e acesso.
Uma mudança de política habitacional
O relatório da OECD de 2024 sobre habitação acessível revela que o investimento público em habitação foi reduzido em quase 90% entre 2009 e 2016. Essa transformação da habitação de um bem social para uma classe de ativos tem levantado preocupações sobre a segurança e a acessibilidade das moradias, especialmente em um contexto de crescente participação de investidores institucionais no mercado imobiliário.
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