O crescimento econômico da China caiu para seu nível mais fraco em mais de três anos, atingindo 4,3% no segundo trimestre de 2023, conforme dados divulgados nesta quarta-feira pelo Escritório Nacional de Estatísticas (NBS). Este resultado ficou abaixo da expectativa de 4,5% prevista em pesquisa da AFP com economistas e representa a menor expansão desde o quarto trimestre de 2022.
A desaceleração ocorre em um contexto de crise prolongada no setor imobiliário e uma queda persistente no consumo interno, levando as autoridades a dependerem cada vez mais das exportações para cumprir suas metas de crescimento. O governo de Pequim estabeleceu uma meta de crescimento anual entre 4,5% e 5,0%, a mais baixa em décadas.
Impactos das tensões geopolíticas e da guerra no Oriente Médio
Embora as exportações tenham sido impulsionadas por um aumento global na demanda por inteligência artificial, a guerra no Irã tem causado interrupções nas rotas comerciais, especialmente no Estreito de Ormuz, onde transita cerca de um quinto do petróleo e gás natural mundial. O NBS reconheceu em comunicado que, apesar de a economia ter operado dentro de uma faixa razoável no primeiro semestre, existem muitos fatores externos instáveis e uma contradição interna entre forte oferta e fraca demanda.
Os dados também mostraram que, em junho, as vendas no varejo cresceram 1,0% em relação ao ano anterior, superando a previsão de queda de 0,1% de acordo com a Bloomberg. Além disso, a produção industrial aumentou 5,3% no mesmo mês, ultrapassando a estimativa de 4,6%. No entanto, um sinal preocupante foi a queda de 5,7% nos investimentos em ativos fixos no primeiro semestre.
Expectativas e reações do mercado
Segundo Yue Su, da Economist Intelligence Unit, a baixa expectativa de renda continua sendo o “elo mais fraco” da economia chinesa. Ela sugere que os formuladores de políticas devem priorizar o estímulo ao consumo na segunda metade do ano e em 2024, por meio de pacotes fiscais e aumento de salários, especialmente para trabalhadores da linha de frente.
Por outro lado, Zhang Zhiwei, analista, acredita que o governo não deve alterar sua postura política em resposta aos dados recentes. Ele argumenta que o crescimento do PIB no primeiro trimestre foi robusto, alcançando 5%, o que ainda mantém o governo no caminho de cumprir sua meta oficial de crescimento para o ano.
Além disso, os números de exportação mostraram um aumento de 27,0% em junho em relação ao ano anterior, impulsionados pela demanda por chips e equipamentos de computação, embora a expansão tenha sido em grande parte atribuída ao aumento de preços devido à escassez de chips de memória.
As tensões comerciais com os Estados Unidos e a União Europeia continuam a ser uma preocupação, com a China registrando um superávit comercial de 32,9 bilhões de dólares com a UE em junho. Apesar de uma aparente estabilização nas relações entre Washington e Pequim, a rivalidade em torno da produção de chips e o desequilíbrio comercial permanecem desafios significativos.
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