O Rio Po, o maior da Itália, está enfrentando um sério problema com o crescimento excessivo de algas, resultado das altas temperaturas e do escoamento de resíduos de fazendas, que criam condições ideais para a proliferação das plantas. Em Turim, remadores enfrentam dificuldades para navegar em meio a vastas áreas cobertas por uma camada verde de algas.
Roberto Romanini, treinador de remo, comentou sobre a situação: "Olhe para essas plantas, se você colocar seu remo, elas não deixarão você avançar", relatou enquanto quatro remadores tentavam passar por uma seção do rio. As temperaturas na região noroeste da Itália dispararam neste verão, com ondas de calor exacerbadas pelas mudanças climáticas, que têm afetado o clima em todo o país.
Queda no fluxo do rio e aumento das algas
O Rio Po experimentou uma queda de 50% em seu fluxo em comparação com a média anual, devido à baixa pluviosidade e ao calor persistente em junho e julho. Apesar disso, diversas espécies de plantas têm florescido desde maio, criando uma paisagem que Romanini descreveu como "parecendo um prado". Ele afirmou que nunca havia visto nada igual e ressaltou que "o rio está mudando, o clima está mudando".
Na represa que controla o nível do rio desde o século 19, uma espessa camada de algas prendeu garrafas e um sapato. Espécies locais como a Spirogyra, conhecida como tranças de sereia, e a Cladophora, se misturam com a Blitum nuttallianum, uma planta invasora originária da América do Norte.
Impactos ambientais e soluções propostas
Francesco Tresso, vice-prefeito de Turim, afirmou que as mudanças climáticas estão tornando esses fenômenos mais extremos. Ele descreveu a situação atual como "bastante excepcional", ressaltando que o rio se assemelha mais a um lago quente, alcançando temperaturas de até 28°C, mesmo sendo originário dos Alpes. Tresso também destacou que os nutrientes provenientes das fazendas na bacia estão criando um ambiente propício para o crescimento das plantas.
Alice de Marco, responsável pela Legambiente, uma organização ambiental local, afirmou que o crescimento das algas é incentivado principalmente pelo excesso de nutrientes provenientes da agricultura. Ela sugere que uma parte significativa da solução reside na limitação, redução ou até eliminação do uso de pesticidas nas práticas agrícolas.
As algas têm um impacto direto na cadeia alimentar, reduzindo os níveis de oxigênio na água e afetando outras plantas e animais. Além do Rio Po, algas também invadiram o Lago Iseo, em Lombardy, e outros corpos d'água, como canais na França e o Rio Ebro, na Espanha.
Para enfrentar esse desafio, a cidade de Turim planeja tornar o Po uma das suas principais atrações. Dois barcos de transporte fluvial devem retomar as operações em 2027, e o conselho municipal reformou um grande parque ao lado do rio. Entretanto, antes disso, é necessário lidar com a proliferação de algas.
Um escavador está sendo utilizado para remover as algas, com caminhões coletando diariamente as plantas, que são transformadas em composto. Em três semanas, mais de 150 toneladas foram removidas, gerando um custo de cerca de 100 mil euros. Segundo Barbero, diretor da Agência de Proteção Ambiental do Piemonte, a maneira correta de remoção é a erradicação das plantas pela raiz, evitando que partes cortadas gerem novas plantas e contaminem as margens do rio.
Embora a proliferação de algas deva diminuir com a queda das temperaturas no outono, Barbero alerta que a cidade deve se preparar para novas ocorrências na primavera. Romanini enfatiza que, por enquanto, os moradores precisam aprender a conviver com a situação e "mostrar mais respeito pelo rio".
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