Com a Copa do Mundo de 2026 em andamento, milhares de torcedores argentinos chegaram ao Texas, reacendendo uma antiga disputa que vai além do futebol: quem faz a melhor carne. A discussão foca principalmente nas diferenças entre o asado argentino e o barbecue texano.
A tradição da carne argentina
A Argentina, conhecida por sua rica cultura de churrasco, ocupa a sexta posição na produção de carne bovina mundial, de acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA, enquanto os Estados Unidos estão em segundo lugar, com o Texas liderando a produção no país.
Carlos Eduardo Barahona, um chef argentino radicado no Texas, defende a superioridade da carne argentina. "A carne argentina é simplesmente imbatível. A textura, o tipo de corte... não há como competir", afirma Barahona, que tem experiência em restaurantes na Argentina, Uruguai e Texas. Ele destaca que, mesmo os cortes mais baratos da Argentina proporcionam uma experiência saborosa, enquanto no Texas, a qualidade pode variar.
Barahona explica que a maioria da carne bovina argentina provém de gado criado a pasto, resultando em um produto mais magro e com sabor intenso. Para ele, a origem e o método de criação são fundamentais para a qualidade da carne.
A defesa do barbecue texano
Por outro lado, o Texas se orgulha de sua carne, que é frequentemente alimentada com grãos, proporcionando um marmoreio que resulta em suculência e sabor adocicado. Sid Miller, comissário de Agricultura do Texas, não hesita em afirmar: "Não existe carne melhor do que a americana, especialmente a do Texas". No entanto, ele também reconhece a qualidade da carne argentina, ressaltando a colaboração entre pecuaristas texanos e argentinos ao longo dos anos.
Gonzalo Herrera, torcedor argentino, compartilha sua experiência ao comprar carne no Walmart em Arlington, Texas. Para ele, a diferença entre as carnes não é tão significativa. "O segredo é saber exatamente quais cortes comprar", diz Herrera, que observa um preço mais alto em relação ao que está acostumado na Argentina.
Preferências e tradições culinárias
A discussão sobre a carne se estende a preferências individuais em relação ao preparo e tempero. Emmanuel Tobon, gerente assistente da churrascaria argentina Corrientes 348 em Dallas, explica que os argentinos tendem a usar apenas sal para temperar a carne, enquanto os texanos costumam adicionar pimenta, manteiga e molhos barbecue.
Os torcedores argentinos têm buscado um pouco de casa durante a Copa, lotando restaurantes que oferecem o tradicional asado. Fernando Garcia Morillo, argentino vivendo perto de Miami, aprecia a carne dos dois países, mas sente falta das tradições argentinas. "Eu peço só sal, sem pimenta, bem simples", comenta Morillo, enfatizando que a rivalidade em relação à carne é mais com o Brasil do que com os Estados Unidos.
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