Uma pesquisa divulgada pelo jornal argentino “Clarín” nesta terça-feira (28) revelou que quase 80% dos argentinos acreditam na existência de uma "campanha anti-Argentina". O levantamento, realizado pela consultoria Trespuntozero entre os dias 23 e 24 de julho, ouviu mil pessoas e apresenta uma margem de erro de 3,2 pontos percentuais.

Entre os entrevistados, 69,1% afirmaram que essa suposta ofensiva é orquestrada. Quando questionados sobre as razões para o surgimento dessa campanha, 35,2% dos participantes apontaram a "inveja pelos resultados da seleção argentina" na Copa do Mundo. Questões políticas relacionadas ao governo do presidente Javier Milei foram citadas por 24,1% dos entrevistados, enquanto 11,2% atribuíram as críticas à percepção de que os argentinos são racistas.

Imagem da Argentina no exterior

A pesquisa também abordou a percepção dos argentinos sobre a imagem do país no exterior. Para 45,2% dos entrevistados, a Argentina é vista "mais odiada do que querida" em outros países. Em contraste, 37,2% acreditam que o país é "mais querido do que odiado". Além disso, 50,6% afirmaram que a reputação da Argentina deteriorou-se nos últimos meses.

O levantamento questionou em qual país a Argentina possui a pior imagem. A Inglaterra liderou a lista, seguida pela Espanha e México, enquanto o Brasil ficou em sexto lugar.

Acusações de Milei e crise diplomática

O estudo foi divulgado dois dias após o presidente Javier Milei acusar os governos do Brasil e do México, assim como o Partido Democrata dos Estados Unidos, de financiar uma campanha contra a Argentina durante a Copa do Mundo. Em uma entrevista a uma rádio argentina no domingo (26), Milei alegou que o governo brasileiro teria contribuído com cerca de 25% dos recursos utilizados na suposta ofensiva, embora não tenha apresentado provas para sustentar suas afirmações.

"Quem investiu mais dinheiro nesta campanha anti-Argentina foi o Brasil", declarou Milei, acrescentando que os ataques ocorreram porque a Argentina se transformou em "um farol para o Ocidente".

As declarações de Milei ocorreram após sua participação na convenção do PL em São Paulo, no sábado (25), onde ele fez comentários ofensivos sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Essas falas provocaram uma crise diplomática, levando o governo brasileiro a convocar seu embaixador em Buenos Aires para consultas.